Em NY, Lula compara Equador a irmão mais novo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou nesta quarta-feira a crise entre a empresa Odebrecht e o governo do Equador, comparando a relação do Brasil com o país com a de um irmão mais velho com seu caçula. Não tem jeito.

BBC Brasil |

O Brasil tem o papel de ser cobrado, porque somos o maior. Você imagina na sua casa, com seus irmãos menores, quando você morava com três, quatro irmãos, você podia estar certo, mas eles ficavam te cobrando coisas'', afirmou.

Os comentários do presidente, feitos em Nova York, onde ele participa da Assembléia Geral da ONU, se referiam ao confisco de bens da Odebrecht e à expulsão da empreiteira do país pelo governo equatoriano.

O presidente do Equador, Rafael Correa, exige o pagamento de uma indenização por parte da empreiteira brasileira por supostas falhas na construção e posterior paralisação da central hidrelétrica San Francisco - a segunda maior do país - construída pela companhia.

Lula disse não ter dúvidas ''de que vamos ter um acordo'' e acrescentou: ''Tenho a certeza de que o presidente Rafael Correa vai me telefonar e vai discutir comigo, como dois dirigentes civilizados fazem''.

O líder brasileiro definiu a relação entre Brasil e Equador como sendo ''extraordinária'' e ''histórica''.

Lula afirmou que ''ainda'' não está preocupado que a relação entre os dois países venha a se deteriorar, contrariando o que havia sido dito anteriormente, nesta quarta-feira, pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O chanceler contou ter transmitido à chanceler equatoriana, Maria Isabel Salvador, uma mensagem de ''preocupação'', que havia sido expressa pelo presidente Lula.

Amorim disse também ter receios de que a ação do governo Correa possa ''afetar o clima das empresas brasileiras no Equador, o que não é bom''.

Unasul

Nesta quarta-feira, o presidente também participou de uma discussão com os países que integram a Unasul, na sede da ONU.

O presidente brincou dizendo que o encontro, no qual ele permaneceu por menos de 15 minutos, foi ''a reunião mais curta que os latino-americanos fizeram em toda a História e a de maior consenso''.

No encontro, as nações sul-americanas concordaram em estabelecer uma comissão para investigar os protestos violentos no Departamento de Pando, na Bolívia, que deixaram pelo menos 16 pessoas mortas, há duas semanas.

Os líderes da Unasul, segundo Lula e a presidente chilena, Michelle Bachelet, ainda não se decidiram quanto à data do próximo encontro da organização.

Os dois líderes disseram que uma nova reunião poderá ser realizada ou em novembro, em Caracas, por ocasião do 2ª Cúpula América do Sul - Caribe, ou durante a reunião do Mercosul, que será realizada em Salvador, na Bahia, em dezembro.

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