Em novo depoimento, Blair lamenta mortes na guerra do Iraque

Ex-premiê volta a defender ofensiva militar no país, mas diz que "lamenta profundamente a perda de vida" no conflito

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo mostra depoimento de Blair nesta sexta-feira
O ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha Tony Blair afirmou nesta sexta-feira que "lamenta profundamente a perda de vida" na guerra do Iraque. Blair prestou um novo depoimento em um inquérito sobre a participação britânica no conflito para "esclarecer" dúvidas da comissão responsável sobre o depoimento anterior, feito em janeiro de 2010.

Na época, Blair afirmou que não se arrependia de ter ajudado os EUA a derrubar o governo de Saddam Hussein e que tomaria novamente a decisão de enviar tropas ao país porque considerava a ação necessária para combater a ameaça terrorista.

No depoimento desta sexta-feira, ele explicou que, ao fazer a declaração em janeiro, não tinha a intenção de dizer que não lamentava as mortes durante a guerra. "Quero deixar claro que lamento profundamente a perda de vida, seja de soldados britânicos, de soldados de outros países, de civis que ajudavam pessoas no Iraque ou dos próprios iraquianos", afirmou Blair. "Queria dizer isso porque é o correto e porque é o que sinto."

Após a declaração de Blair, algumas pessoas que assistiam ao depoimento gritaram "tarde demais" e o presidente da comissão responsável pelo inquérito, John Chilcot, teve de pedir silêncio.

Do lado de fora do centro de confêrencias Rainha Elizabeth 2a, em Londres, cerca de 100 manifestantes protestavam contra Blair. Alguns seguram cartazes que chamam o ex-premiê de "mentiroso" e "criminoso de guerra".

O inquérito está analisando o período entre 2001 e 2009, observando três pontos principais: a justificativa para a entrada no conflito, a preparação para a invasão do Iraque e as deficiências no planejamento para a reconstrução do país asiático.

A comissão não vai estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal, mas apenas emitir advertências e recomendações, para evitar que eventuais erros cometidos no episódio sejam repetidos no futuro. O relatório final será debatido no Parlamento.

Extremismo

Durante o depoimento, Blair voltou a defender a decisão de invadir o Iraque e disse que os ataque de 11 de Setembro criaram um novo tipo de terrorismo.

"A maior dificuldade que temos de encarar hoje - e ainda temos de encarar - é o risco desse novo tipo de terrorismo e extremismo baseado em uma perversão ideológica da fé islâmica, combinada à tecnologia que permite a eles matar um grande número de pessoas", afirmou. "Embora muita gente acredite ser possível lidar com esse tipo de extremismo, não penso que isso é verdade. Acho que (o extremismo) deve ser confrontado e alterado."

Antes de seu depoimento, Blair enviou uma carta à comissão responsável pelo inquérito, na qual admitiu ter ignorado as advertências do procurador-geral do Reino Unido sobre a ilegalidade de invadir o Iraque sem o respaldo da ONU. Segundo Blair, o conselho era apenas "provisório".

A advertência do procurador-geral Peter Goldsmith foi feita em janeiro de 2003. Na carta, Blair afirmou que, naquele momento, "ainda não tinha pedido assessoria legal formalmente, nem Goldsmith tinha chegado ao ponto de dá-la".

Testemunhas ouvidas anteriormente pela investigação, aberta em julho de 2009, insistem que os serviços de segurança britânicos não tinham encontrado provas de que Saddam Hussein tinha qualquer ligação com a Al-Qaeda.

Irã

Blair, que atualmente é enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio (formado por EUA, Rússia, ONU e União Europeia), também afirmou durante o depoimento que o Irã é uma ameaça crescente.

"Visito a região o tempo todo e vejo o impacto e a influência do Irã por toda parte. É negativa, desestabilizadora, de apoio a grupos terroristas", afirmou. "O país está fazendo tudo o que poder para impedir o avanço do processo (de paz) no Oriente Médio."

Segundo o ex-premiê, o Irã continuará sendo um elemento desestabilizador na região a menos que o Ocidente tome alguma medida com "a determinação necessária". Ele disse que, apesar dos esforços dos Estados Unidos pelo diálogo, o governo iraniano preferiu seguir "com o terrorismo, a desestabilização e com seu programa de armas nucleares"

Com BBC

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