Em nova crise, Berlusconi enfrenta demissão de vários ministros

Pressionado a renunciar, premiê italiano será obrigado a reformar o gabinete com a renúncia de cinco membros do Executivo

AFP |

Quatro membros graduados do gabinete de Silvio Berlusconi apresentaram nesta segunda-feira sua renúncia "irrevogável", intensificando o impasse político na Itália, informaram fontes oficiais.

Apresentaram sua renúncia o ministro italiano para a Política Europeia, Andrea Ronchi, o vice-ministro do Desenvolvimento Adolfo Urso, e os secretários de Estado para Agricultura Antonio Buonfiglio e para Meio Ambiente Roberto Menia, informou o partido Futuro e Liberdade para a Itália (FLI), formado recentemente pelo ex-aliado de Berlusconi e presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini.

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O presidente da Câmara dos Deputados da Itália e ex-aliado do premiê Silvio Berlusconi, Gianfranco Fini, participa da apresentação do relatório "Italiadecide"
Além dos membros do FLI, Giuseppe Maria Reina, secretário de Estado de Infraestrutura e Transporte, do pequeno partido siciliano MPA, aliado de Fini, também se demitiu. Com a saída dos dissidentes do governo conservador, Berlusconi será obrigado a reformar o gabinete.

O magnata e primeiro-ministro italiano nega-se a renunciar ao cargo apesar dos pedidos da oposição de esquerda e de seus antigos aliados, em meio a uma grave situação de paralisia econômica, somada a revelações de escândalos sexuais.

Berlusconi, que passou parte da semana na Coreia do Sul pela cúpula do G20, recusa-se a abrir uma nova fase de negociações, após ter perdido apoio de Fini.

Uma guerra de moções, uma favorável no Senado, onde o primeiro-ministro tem ampla maioria, e outra contra, apresentada pela oposição de esquerda na Câmara de Deputados, onde perdeu a maioria, retratam o clima de confusão e ansiedade que predomina no país, caracterizado por muitos editorialistas como "fim de um regime".

O alto escalão do governista Partido da Liberdade (PdL) ergueu uma verdadeira muralha de proteção ao redor de seu líder e advertiu que não aceitará formar um novo governo "com outro premiê". Para acalmar os ânimos, o porta-voz do PdL na Câmara de Deputados, Fabrizio Cicchitto, prometeu que verificará se o governo detém maioria no Parlamento e, se o apoio se confirmar, "seguirá adiante".

Chichitto quer o respeite ao calendário e a votação primeiramente à lei orçamentária, "uma prioridade em um momento de crise econômica", adiando as votações das moções, o que serviria para evitar eleições antecipadas ou a formação de um governo "técnico" com duração limitada.

Além das brigas entre a chamada casta política, das quais não se pode prever o resultado, o principal líder do país há 15 anos está afundado na desmoralização.

"Berlusconi está com as horas contadas. Em pouco tempo a Itália se livrará de um câncer que tem destruído a economia nacional, desonrado as instituições e manchado os valores morais", disparou Leoluca Orlando, do movimento anticorrupção "Itália dos Valores".

Os excessos e abusos do magnata das comunicações no exercício do poder têm levantado críticas e protestos de meios de comunicação, industriais e da Igreja italiana.

Dois vídeos divulgados na semana passada, nos quais jovens esculturais são vistas entrando na residência privada do primeiro-ministro sem serem submetidas a controles, contribuíram para sujar ainda mais a imagem de Berlusconi, já gravemente afetada após o escândalo Ruby, uma menor de idade marroquina.

Esse caso revelou que o chefe do Executivo chegou a intervir junto ao poder policial para liberar a jovem, acusada de roubar euros e joias de uma amiga.

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