Em nome da UE, chanceler espanhol tenta reativar diálogo no O.Médio

Daniela Brik. Jerusalém, 1 fev (EFE).- Na primeira visita ao Oriente Médio desde que a Espanha assumiu a Presidência da União Europeia (UE), o chanceler Miguel Ángel Moratinos chegou hoje a Israel com o objetivo de ajudar a reativar o diálogo de paz com os palestinos.

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A visita deve durar dois dias e Moratinos passará também pela Cisjordânia. Em sua chegada, o ministro espanhol afirmou que tentará "ajudar as partes a encontrar um marco de referência" que as leve de volta ao diálogo.

"A Presidência Espanhola sempre considerou que a situação no Oriente Médio e o impulso ao processo de paz devem constituir uma de seus principais prioridades", afirmou Moratinos à imprensa em Jerusalém.

A coletiva de imprensa foi após as primeiras reuniões que o ministro espanhol teve hoje com o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, com o ministro da Defesa, Ehud Barak, e com a chefe da oposição e dirigente do partido Kadima, Tzipi Livni.

Moratinos enfatizou que as gestões da UE se somam às dos Estados Unidos e de seu enviado à região, George Mitchell, para "relançar o processo de paz".

O chanceler revelou que teve uma conversa com Mitchell na sexta-feira passada e que o americano disse que israelenses e palestinos "estavam muito perto" de retornar ao diálogo, mas alertou que são os próprios envolvidos que precisam tomar as decisões.

Considerou a Síria, país que visitará na quarta-feira, "um ator fundamental" na região e antecipou que analisará com os líderes israelenses as vias para resgatar o diálogo entre o Estado judeu e Damasco, de forma que a Turquia atue como mediador.

Além de questões bilaterais, Moratinos também preparará com os diferentes líderes a Cúpula da União pelo Mediterrâneo, prevista para junho em Barcelona.

O ministro espanhol revelou ainda que o primeiro-ministro israelense, o conservador Benjamin Netanyahu, com quem se reunirá amanhã, pediu para visitar a Espanha em março.

"Falamos das relações bilaterais e ele me indicou que o primeiro-ministro tem a intenção de visitar Espanha no mês de março", disse Moratinos sobre a reunião com Lieberman.

Amanhã o chanceler espanhol também se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em Ramala (Cisjordânia).

Quanto à resposta israelense à ONU sobre o Relatório Goldstone, que acusou o Estado judeu e o Hamas de cometer crimes de guerra, o ministro espanhol disse ter recebido um documento entregue por Lieberman, mas que ainda não tinha tido a chance de olhar.

Mas reiterou a mensagem da Espanha a esse respeito. "Temos que olhar para o futuro para evitar situações (...) como a da crise em Gaza", confirmou.

Em nível bilateral, Moratinos qualificou as relações com Israel de "muito boas" e citou como exemplo os resultados da visita feita ao país há alguns meses pelo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

Em comunicado à imprensa, o Ministério de Assuntos Exteriores israelense indica que Lieberman "mostrou sua vontade de trabalhar conjuntamente com a Espanha como presidente da União Europeia".

"Os ministros Lieberman e Moratinos falaram em elevar as relações de Israel com a UE e de cooperar em projetos pelo Oriente Médio", acrescenta a nota.

Sobre as declarações expressadas hoje pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, de que um de seus maiores desejos é que Israel se transforme em membro da UE, Moratinos evitou se pronunciar, embora tenha frisado que "seria preciso perguntar às duas partes".

O ministro lembrou que Israel sempre manifestou seu desejo de ser um parceiro privilegiado do bloco, mas nunca um membro comunitário e que, por isso, considera irrelevante entrar em tal questão. EFE db/rr

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