Em N. York, Lula defende multilateralismo e reforma no Conselho de Segurança

Pilar Valero. Nações Unidas, 23 set (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou hoje sobre crise financeira e etanol na Assembléia Geral da ONU, defendendo ainda uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o multilateralismo.

EFE |

Os debates da Assembléia Geral da ONU, que reúnem chefes de Estado e de Governo de 192 países e que começaram hoje em Nova York, foram marcados por uma chamada generalizada a restauração da ordem nos mercados financeiros internacionais.

"A euforia dos especuladores sumiu na angústia de povos inteiros", denunciou o presidente Lula, que abriu os debates.

Segundo o presidente brasileiro, a natureza global da crise implica que as soluções a serem adotadas também sejam decididas "em legítimos e críveis foros multilaterais, sem imposições".

Lula reivindicou novas bases, porque, segundo ele, "as instituições econômicas atuais não têm autoridade nem os instrumentos necessários para evitar a anarquia da especulação".

O presidente ainda lamentou que embora o muro de Berlim tenha caído, "outros muros foram construídos" e denunciou que muitos dos que defendem a livre circulação de mercadorias impedem o livre trânsito de homens e mulheres.

Lula também alertou sobre a volta do que chamou de "nacionalismo populista" que, segundo ele, acreditavam que estava "superado".

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, fez em seu primeiro discurso na tribuna da ONU duras críticas aos Estados Unidos, país que, segunda ela, hoje "tem problemas a partir de uma economia de cassino que achou que o capitalismo só pode produzir dinheiro".

Cristina afirmou que hoje já não se pode falar dos "efeitos tequila ou arroz" nem das crises dos países emergentes em direção ao centro, mas, pelo contrário, "o efeito jazz" sai da primeira economia do mundo e se expande a todas as demais nações.

"Disseram (à América do Sul) que o mercado resolveria tudo, mas agora ocorre a intervenção estatal mais forte de onde disseram que o Estado não era necessário", afirmou a governante em alusão às medidas adotadas pelos Estados Unidos para combater a crise.

Da mesma forma que o Brasil fez antes, a Argentina reivindicou a reforma da ONU e dos organismos multilaterais de crédito.

Tanto Lula quanto Cristina assinalaram em discurso que a América do Sul deu exemplo de como se constrói o multilateralismo, apesar das diferenças existentes entre os países da região.

Amos citaram como exemplo a cúpula recente da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na qual se alcançou uma resolução por unanimidade para ajudar a Bolívia na defesa da democracia e no diálogo para solucionar a crise interna.

"O exercício da multilateralidade é uma convicção das regiões emergentes, de que somos capazes de dar exemplo", destacou a presidente argentina.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em sua despedida na assembléia, tentou tranqüilizar os dirigentes mundiais sobre a crise financeira, ao assegurar que foram adotadas medidas para freá-la.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reconheceu que o mundo tem um "desafio de liderança" para enfrentar a crise global, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs uma cúpula mundial antes do fim de ano para buscar soluções conjuntas. EFE vai/rr

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