Em Munique, Irã não vence reservas do Ocidente na questão nuclear

Juan Carlos Verruma. Munique (Alemanha), 6 fev (EFE).- Com a total falta de transparência de seu programa nuclear, o Irã não conseguiu vencer hoje as reservas do Ocidente durante a Conferência de Segurança de Munique (Alemanha) e, pelo contrário, aumentou o receio dos países presentes.

EFE |

Mesmo assim, o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, assegurou à imprensa que Teerã defende uma política de "energia nuclear para todos e armas atômicas para ninguém". O ministro ainda elogiou o discurso feito pelo presidente americano, Barack Obama, em Praga, no qual propôs a eliminação das armas de destruição em massa.

Mottaki afirmou que é possível chegar "em um futuro próximo" a um acordo para a troca de combustível nuclear proposta pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a fim de atender às necessidades de seu país em tratamentos médicos.

Pouco depois, o próprio diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, esvaziou as afirmações de Mottaki ao comentar, após uma reunião com ele, que ainda não recebeu a anunciada "contra-proposta do Irã".

Ao falar com a imprensa por ocasião da conferência, Mottaki disse com otimismo que as conversas durante o evento tinham sido positivas e ressaltou a "vontade política" de se chegar a um acordo.

As declarações de Mottaki contrastam com as de outros presentes na conferência, que se mostraram decepcionados com a intransigência exibida por Teerã em Munique.

"Nossa mão segue estendida, mas até agora só tocou o vazio", disse o vice-chanceler e ministro de Assuntos Exteriores alemão, Guido Westerwelle, que, ao abrir a conferência, pediu que os iranianos passassem de palavras para ações concretas.

Westerwelle disse que o Irã tem direito ao uso pacífico da energia atômica, mas reiterou, de forma taxativa, que "o rearmamento nuclear do Irã é inaceitável".

Segundo ele, tal possibilidade representa um perigo desestabilizador não só para a região, mas para todo o mundo. "O conflito com o Irã não é regional, mas global", disse o vice-chanceler perante centenas de líderes e especialistas em segurança.

O assessor de segurança de Obama, general Jim Jones, lamentou as declarações "confusas" das autoridades iranianas sobre as ofertas ocidentais.

Para ele, novas sanções e um maior isolamento devem ser as respostas se o Irã mantiver a postura obstrutiva perante a AIEA.

Mas condescendente com o Irã foi o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, que assinalou que Teerã tem motivos para estar preocupada com sua segurança. Segundo ele, o impasse nuclear não poderá ser resolvido se for ignorado o que acontece também entre árabes e israelenses.

A chefe de política externa e segurança da União Europeia, Catherine Ashton, considerou que as possibilidades de dialogar "não se esgotaram", embora tenha frisado a necessidade de recuperar a confiança no declarado "fim pacífico" da pesquisa nuclear do Irã.

Mottaki detalhou em Munique a proposta do presidente iraniano para a anunciada troca de urânio de baixa potência por urânio altamente enriquecido, que serviria para ajudar uma fábrica na produção de equipamentos que auxiliam o combate ao câncer e que, segundo assegurou, "foi construída há 50 anos pelos Estados Unidos".

O chefe da diplomacia de Teerã relativizou hoje, no entanto, afirmações anteriores em que exigia que a troca fosse imediata e falou perante a imprensa de prazos aceitáveis. Por outro lado, confirmou que as necessidades do Irã são de cerca de 1.200 quilos de urânio altamente enriquecido.

Mottaki assegurou também que toda a operação aconteceria com supervisão e controle da Agência Internacional de Energia Atômica. O ministro disse ter mantido uma "conversa muito boa" com o próprio diretor-geral da AIEA. EFE jcb/rr

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