Em Moscou, Hillary e chanceler russo apostam em acordo de armas

Moscou, 18 mar (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, mostraram hoje confiança de que um novo tratado de desarmamento nuclear entre os dois países será assinado.

EFE |

Hillary destacou que os negociadores estão terminando o texto e que informaram que obtiveram "avanços substanciais". Lavrov, por sua vez, disse acreditar que as negociações cumprem com o encomendado pelos presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e dos EUA, Barack Obama.

"Temos muitas razões para supor que estamos na parte final da última etapa e esperamos que os negociadores nos informem em breve do fim de seu trabalho", disse Hillary.

Tanto Hillary quanto Lavrov afirmaram que após o fim das negociações, ambas as partes devem entrar em acordo sobre o local e a data da cerimônia de assinatura do documento, que substituirá o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), expirado em dezembro, mas prorrogado até a subscrição de um novo.

A Rússia e os EUA iniciaram no dia 9 de março em Genebra a décima e, provavelmente, última rodada de negociações sobre o desarmamento.

As conversações sobre o tema foram iniciadas por Medvedev e Obama, em Londres, há quase um ano.

Recentemente, Lavrov assegurou que o novo tratado contemplará a vinculação entre o armamento ofensivo - mísseis balísticos - e o defensivo - sistemas antimísseis -, ao que os EUA se mostraram reticentes.

"Se todos respeitarmos o princípio fundamental, ou seja, a paridade (nuclear), todos os assuntos serão esclarecidos muito rapidamente", disse Lavrov.

Segundo o jornal "Kommersant", que cita fontes do Kremlin e da Chancelaria russa, a assinatura do tratado será realizada antes da conferência nuclear do dia 12 de abril em Washington.

"Todos os pontos, incluindo a telemetria - intercâmbios de dados de lançamentos de mísseis -, estão estipuladas. O trabalho dos negociadores já não tem um caráter político, mas técnico", aponta uma fonte.

Os analistas acreditam que o problema poderia estar não na assinatura do tratado, mas em sua ratificação por parte dos Legislativos dos dois países.

A Duma (câmara dos deputados russa) não dará o seu aval se o documento não vincular o armamento ofensivo ao defensivo. Já o Senado americano não ratificará o acordo se ele limitar a capacidade dos EUA de instalar escudos antimísseis, como assegurou recentemente o senador republicano John McCain.

Os presidentes russo e americano concordaram que o novo tratado de desarmamento deve reduzir o número de ogivas nucleares de cada país a algo entre 1.500 e 1.675 unidades em seus primeiros sete anos de vigência.

Por outro lado, Hillary e Lavrov também trataram de outros assuntos, como a crise nuclear iraniana e a reunião amanhã em Moscou do quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, ONU e Rússia).

"Trabalhamos conjuntamente com nossos parceiros (...) para chegar a um consenso que deixe claro ao Irã que suas ações podem ter consequências", disse a chefe da diplomacia americana.

Hillary ressaltou que, apesar de ameaçar com sanções, os EUA ainda apostam em uma solução diplomática para o problema iraniano.

Também pediu que Moscou adie o início dos trabalhos da primeira usina nuclear iraniana, construída por engenheiros russos no Golfo Pérsico (Bushehr).

Já Lavrov lembrou que a Rússia só apoiará sanções que busquem "impedir a violação do regime de não-proliferação", embora tenha frisado que o Conselho de Segurança nem sequer iniciou um debate a respeito. EFE io-se/pb/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG