Em Mianmar, premiê britânico defende suspensão de sanções

Cameron encontra líder pró-democracia Suu Kyi na primeira visita de um líder ocidental ao país em décadas

iG São Paulo |

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e a líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi, apoiaram nesta sexta-feira a suspensão das sanções do Reino Unido contra o país. Cameron, o primeiro líder ocidental a visitar Mianmar em décadas, e a ganhadora do Prêmio Nobel disseram que as sanções deveriam ser suspensas, mas não retiradas por completo, para pressionar o governo civil a continuar com suas reformas.

Leia também: Após eleições, EUA aliviam sanções contra Mianmar

AP
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversa com a líder pró-democracia de Mianmar Aung San Suu Kyi em Yangon

Cameron, o primeiro premiê britânico a visitar Mianmar desde que o país se tornou independente do Reino Unido em 1948, disse que vai pressionar para que todas as sanções da UE sejam retiradas com exceção de um embargo de armas.

Os comentário são feitos 10 dias antes da revisão anual das sanções da União Europeia, que serão debatidas por todos os 27 Estados membros em Bruxelas.

As sanções da UE, que são menos rigorosas do que as dos Estados Unidos, incluem congelamento de ativos, proibição de venda de armas e investimento ou comércio relacionado com madeira ou mineração de metais e pedras preciosas. Elas não proíbem o investimento em outros setores.

As restrições também impedem o acesso de Mianmar ao Sistema de Preferências Generalizadas, que dão privilégios comerciais aos países mais pobres, mas diplomatas da UE afirmam que mudar isso leva tempo.

O apoio de Suu Kyi à flexibilização temporária das sanções tem um enorme peso devido ao seu prestígio internacional. Mais cedo, Cameron se reuniu com o presidente Thein Sein e pediu a libertação de todos os presos políticos, que ele faça as pazes com os rebeldes étnicos e convença os radicais de seu gabinete e do partido de que as reformas são o melhor caminho a seguir.

Também conhecida como Birmânia, Mianmar tem sido durante anos o alvo de sanções ocidentais por causa de abusos de direitos humanos. Após a conquista da independência - em grande parte devido aos esforços de Aung San, pai de Suu Kyi -, um golpe em 1962 levou a 49 anos de regime militar ininterrupto e brutal.

Isso acabou há um ano após a transferência para o governo quase civil de Thein Sein com ex-generais, uma hegemonia agora em risco após a Liga Nacional para a Democracia (NLD) de Suu Kyi conquistar 43 de 45 cadeiras no parlamento nas eleições deste mês.

Com Reuters

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