Em Miami, McCain critica Obama devido a Cuba

Por Steve Holland MIAMI, EUA (Reuters) - O candidato à Presidência dos Estados Unidos John McCain, do Partido Republicano, acusou na terça-feira Barack Obama, favorito para ficar com a vaga do Partido Democrata nas eleições gerais, de desejar tornar menos rígido o embargo contra Cuba e de querer reunir-se com o presidente cubano, Raúl Castro.

Reuters |

Tentando conquistar o apoio do eleitorado cubano-americano, que possui grande peso na Flórida (um dos principais Estados da corrida presidencial), McCain prometeu dar continuidade ao embargo norte-americano contra Cuba até o governo comunista da ilha libertar prisioneiros políticos, conceder liberdades básicas a sua população e marcar eleições a serem monitoradas por entidades estrangeiras.

O republicano ainda criticou Obama e a também democrata Hillary Clinton, que disputa a vaga do partido deles no pleito nacional, por oporem-se ao acordo de livre comércio com a Colômbia, afirmando que isso beneficia o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um político contrário aos EUA.

Até agora, o Congresso norte-americano, atualmente liderado pelos democratas, vem se recusando a aprovar o acordo. Os legisladores acusam o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de não adotar as medidas necessárias para proteger líderes trabalhistas atingidos no fogo cruzado do conflito interno de quatro décadas que atinge aquele país.

McCain disse que Obama e Hillary 'desejam retirar-se para trás de muros de protecionismo e minar um importante aliado do continente'.

A promessa de Obama de realizar negociações, sem impor precondições, com os líderes de países considerados hostis pelos EUA, como o Irã, a Coréia do Norte, a Síria, a Venezuela e Cuba, deu a McCain a desculpa de que precisava para criticar as políticas externas defendidas pelo adversário democrata.

O republicano atacou Obama, senador pelo Estado do Illinois, argumentando que um eventual encontro dele como presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, significaria recompensar um governo dedicado à destruição dos EUA e de Israel.

McCain comparou a postura de Obama com aquela de outros presidentes norte-americanos, como Franklin Roosevelt na Segunda Guerra Mundial e Ronald Reagan durante a Guerra Fria.

'Roosevelt não conversou com Hitler (Adolf Hitler), e Reagan não conversou com Brezhnev (Leonid Brezhnev, líder da União Soviética) ou com os sucessores deste até que Gorbachev (Mikhail Gorbachev) mostrou-se pronto a mudar de postura.

Reagan não agiu como Jimmy Carter. Carter foi até lá e beijou Brezhnev, lembram-se?'

McCain, 71, ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, acusou os cubanos de participarem de sessões de tortura de alguns de seus companheiros de prisão em Hanói.

Em um encontro realizado na Prefeitura de Miami, McCain disse que Obama, depois de falar sobre normalizar as relações com Cuba, tinha mudado de posição e passou a defender apenas uma amenização do embargo, e não mais o levantamento total dele.

Obama disse que gostaria de minorar as restrições existentes para as visitas de norte-americanos a Cuba, concedendo a todos os cubano-americanos direitos ilimitados de viajar até seus familiares na ilha caribenha e de enviar dinheiro para parentes que morem ali.

'Ele deseja também sentar-se, sem impor condições prévias, para conversar de presidente para presidente com Raúl Castro', afirmou McCain.

As pessoas presentes na cerimônia, quase todos cubano-americanos, reagiram vaiando Obama.

McCain compareceu a Miami para participar das celebrações pela independência de Cuba, em 1902. O atual governo cubano celebra outras datas, como a da revolução comunista concluída no dia 1o de janeiro de 1959.

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