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Em meio a tensões, Morales consegue consolidar seu projeto de Bolívia

Soledad Álvarez. La Paz, 20 dez (EFE) - O presidente Evo Morales conseguiu em 2008 consolidar seu projeto na Bolívia após um ano de grande tensão - com graves conflitos políticos que provocaram inclusive mortes - e marcado também pela piora das relações do país com os Estados Unidos. Morales encaminhou o referendo sobre a nova Constituição, que será realizado em 25 de janeiro, graças a um acordo político obtido contra qualquer previsão após dez meses de conflitos que tiveram sua expressão mais violenta na região de Pando, onde 20 pessoas morreram em um choque entre governistas e opositores. No meio de sua gestão, o presidente da Bolívia recebeu um decisivo respaldo no referendo sobre mandatos realizado em agosto, onde foi ratificado com 67,4% dos votos, quase 14 pontos percentuais a mais do que o apoio que o levou à Presidência, em 2005. A Bolívia chegou ao plebiscito em um cenário de forte confronto político entre o Governo e os opositores, incluindo os líderes de várias regiões que intensificaram em 2008 suas reivindicações de autogoverno. As regiões de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando realizaram, entre maio e junho, referendos populares para aprovar estatutos de autonomia qualificados de ilegais e separatistas pelo Executivo. Após o plebiscito de agosto, o conflito agravou-se quando os autonomistas iniciaram uma série de protestos contra o Governo, com bloqueios de estradas, ataques a infra-estruturas de gás e ocupação de instituições em Santa C...

EFE |

O episódio mais grave ocorreu em 11 de setembro em Pando, região amazônica no norte do país, onde um choque armado entre governistas e opositores acabou com a morte de 20 pessoas, a maioria camponeses seguidores de Morales.

O Governo decretou estado de sítio em Pando e o governador regional, o opositor Leopoldo Fernández, foi detido e preso sob a acusação de ser o responsável pela violência no local.

Diante dessa situação, o Executivo denunciou a tentativa de um "golpe de Estado civil" na Bolívia promovido pela oposição que levou a União de Nações Sul-americanas (Unasul) a organizar uma cúpula de emergência em Santiago do Chile para apoiar o Governo Morales.

A violência abriu caminho ao diálogo político sob a observação de organismos internacionais como a Unasul, a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA). A primeira fase da negociação entre o Executivo e os autonomistas fracassou.

As forças parlamentares conseguiram, em 20 de outubro no Congresso Nacional, um acordo sobre o projeto constitucional - com a modificação de mais de 100 artigos - e sobre a antecipação das eleições gerais para dezembro de 2009.

O consenso foi obtido em meio a uma grande manifestação em La Paz promovida por dezenas de milhares de seguidores de Morales em defesa da nova Constituição.

Em política externa, 2008 foi um ano crítico nas relações de Bolívia e EUA, com a expulsão do embaixador americano em La Paz, a quem Morales acusou de conspirar contra o Governo boliviano.

Em uma "ofensiva" sem precedentes contra os EUA, o esquerdista Morales também expulsou a DEA, a agência antidrogas americana.

A Casa Branca respondeu com a expulsão do embaixador boliviano e com a suspensão à Bolívia das vantagens tarifárias vinculadas à luta contra o tráfico de drogas, ao considerar que o país não cumpre esse objetivo.

Este ano as relações entre Bolívia e Peru também foram tensas, com contínuos atritos e até trocas de acusações entre Morales e Alan García, que levaram à convocação para consultas do embaixador de Lima em La Paz em junho.

As diferenças entre Morales e García têm sua origem na forma de encarar um tratado comercial com a União Européia (UE), assunto que dividiu a Comunidade Andina (CAN), integrada por Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.

Na área econômica, Morales consolidou a nacionalização dos hidrocarbonetos e alcançou acordos com as principais transnacionais que operam no país para que o Estado tenha maioria em seus conselhos de administração.

A Bolívia também nacionalizou a empresa de telecomunicações Entel, filial da italiana Telecom, que levou a operação a um tribunal de arbitragem.

E o país, que continua sendo um dos mais pobres da América do Sul, quer terminar 2008 como o terceiro Estado livre de analfabetismo do continente, graças também à cooperação cubana. EFE sam/db

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