Em meio a protestos, militares fecham pirâmides no Egito

Turistas lotam Aeroporto Internacional do Cairo em busca de voos para deixar o país, que vive onda de manifestações

iG São Paulo |

AP
Veículo das Forças Armadas é vista em frente à pirâmide de Giza, no Egito

Turistas estrangeiros lotam o principal aeroporto do Cairo, capital do Egito, neste sábado, em busca de voos para deixar o paÍs. As violentas manifestações que começaram na terça-feira levaram militares a fechar o acesso às pirâmides localizadas na região, umas das principais atrações turísticas egípcias.

Neste sábado, a companhia israelense El Al tentava conseguir permissão para fazer um voo especial que levaria 200 turistas de volta a Israel.

A informação foi dada por uma autoridade do Aeroporto Internacional do Cairo, que não quis ser identificada. De acordo com a agência AP, entre 1.500 e 2 mil pessoas estavam no aeroporto na tarde deste sábado, a maioria sem passagens reservadas e desesperada para conseguir um voo.

A dificuldade aumenta conforme companhias europeias e americanas anunciam cancelamentos e suspensões por causa dos protestos na capital. A EgyptAir cancelou todos os voos noturnos por causa do toque de recolher imposto pelo governo. Outras companhias que registraram atrasos e cancelamentos foram as alemãs Lufhtansa e Air Berlin e a americana Delta Airlines.

Toque de recolher

Neste sábado, o Exército do Egito anunciou a extensão do toque de recolher vigente no país. A partir de agora a medida vale para o período entre 16h e 8h no horário local (12h e 4h de Brasília), um aumento de três horas em relação ao toque de recolher anunciado na sexta-feira.

A extensão foi anunciada logo após a renúncia do gabinete de governo do presidente Hosni Mubarak, apresentada formalmente no início da tarde. Os ministros atenderam a um pedido de Mubarak, que com a mudança tenta frear a onda de manifestações.

Apesar da mudança de gabinete e do novo toque de recolher, milhares de manifestantes desafiam a medida e continuam nas ruas do centro do Cairo, no quinto dia consecutivo de protestos. Manifestações também acontecem em cidades como Suez e Alexandria, onde centenas pedem a renúncia de Mubarak.

No Cairo, tanques e veículos blindados estão nas ruas, principalmente em locais como a praça Tahrir, epicentro dos protestos de sexta-feira, quando o presidente convocou o Exército para conter a população - algo que não acontecia no país desde 1985.

Autoridades do Ministério da Saúde do Egito afirmaram que os protestos realizados no país deixaram ao menos 38 mortos desde sexta-feira. Com isso, o total de vítimas fatais desde que as manifestações começaram passa para 45.

De acordo com as autoridades, que não quiseram ser identificadas, destas 38 novas mortes 12 foram registradas na capital, Cairo. Outras 12 aconteceram em Suez, oito em Alexandra, três em Port Said, duas em Mansura e uma em Gizé.

Também neste sábado, os serviços de telefonia celular, bloqueados desde a véspera, foram retomados. A internet, porém, continua bloqueada, e o governo nega a acusação de que tenha interrompido o acesso à rede para evitar que novos protestos fossem convocados.

Com BBC, AP, AFP e EFE

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