Em meio a protestos, Líder supremo ratifica novo mandato de Ahmadinejad

Mohamad Shivafar. Teerã, 3 ago (EFE).- O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, concedeu hoje ao presidente, Mahmoud Ahmadinejad a ordem assinada para ratificar seu segundo mandato na Presidência do Irã, enquanto continuam os protestos contra o resultado das eleições.

EFE |

Segundo a televisão pública, o ato aconteceu na mesquita xiita de Imame Khomeini no norte de Teerã.

As imagens, transmitidas pela televisão estatal, mostravam a presença no ato do chefe do Poder Judiciário, aiatolá Mahmoud Hashemi Shahroudi, do presidente do Parlamento islâmico, Ali Larijani, e do chefe do Conselho de Guardiães, aiatolá Ahmad Jannati.

No entanto, destacou-se a ausência do chefe da Assembleia de Especialistas, aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, e proeminentes personalidades reformistas, como o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami.

Na ordem escrita que ratifica o segundo mandato do conservador Ahmadinejad, o líder supremo qualificou de "esperançosa" a participação de mais de 40 milhões de eleitores nas eleições de 12 de junho.

Khamenei disse também que a participação de 85% das pessoas convocadas foi um voto à República Islâmica e a sua luta contra a pobreza, a corrupção e a discriminação, assim como ao combate sem descanso à arrogância.

"Foi um voto sem precedentes do povo ao presidente eleito e a seu funcionamento durante os últimos quatro anos", disse Khamenei em seu discurso, lido pelo chefe de seu escritório, Mohamadi Golpayegani.

Durante o ato, Ahmadinejad disse que o povo do Irã deve ter um papel ativo na administração do mundo.

"A presença ativa no cenário internacional é um dever nacional", disse Ahmadinejad, ao traçar a linhas gerais de seu segundo mandato na Presidência do Irã.

Ahmadinejad acrescentou que já passaram aqueles tempos em que as potências arrogantes ditavam as normas a outros países, e lhes advertiu que parassem de interferir nos assuntos internos das demais nações.

Durante o primeiro mandato de Ahmadinejad, nos últimos quatro anos, aumentaram drasticamente o desemprego, a inflação e a marginalização internacional do Irã.

O ato da posse de Ahmadinejad acontecerá na próxima quarta-feira no Parlamento islâmico e, a partir de então, ele terá um prazo de duas semanas para apresentar ao Parlamento os membros de seu novo gabinete.

Em 13 de junho, o Ministério do Interior iraniano apresentou Ahmadinejad como o "ganhador" do pleito frente a outros três candidatos, que qualificaram de "fraudulentas" as eleições e apresentaram denúncias contra os resultados.

Os partidários dos candidatos reformistas foram às ruas nas principais cidades iranianas, especialmente em Teerã, para protestar contra o resultado das eleições.

As manifestações foram reprimidas com violência pelos milicianos Basij e pela Guarda Revolucionária, com um resultado de 20 mortos e milhares de detidos, segundo os dados oficiais.

Um primeiro julgamento de cerca de 100 detidos durante as manifestações, entre eles importantes ativistas políticos reformistas, aconteceu neste final de semana perante um tribunal revolucionário de Teerã, onde o vice-procurador acusou os detidos de colaborar com os inimigos estrangeiros para uma revolução de "veludo" durante as eleições.

O julgamento de ontem gerou a reação dos líderes reformistas, como Mir Hussein Moussavi e Mohamad Khatami, que o qualificaram de um espetáculo e um julgamento inválido. EFE msh/an

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