Havana, 23 fev (EFE).- Raúl Castro está a um dia de completar um ano como presidente de Cuba, período no qual teve que lidar com o agravamento da situação econômica da ilha.

Os três destaques do período foram o agravamento da crise econômica, melhoras nas relações diplomáticas e o protagonismo perseverante de Fidel.

Embora tenha assumido como interino em 2006, com a piora no estado de saúde de seu irmão, Raul foi nomeado presidente em 24 de fevereiro de 2008.

Cuba passa por grandes dificuldades desde o fim da União Soviética e os problemas se agravaram no último ano, com os furacões que causaram prejuízo de cerca de US$ 10 bilhões.

As autoridades admitiram que vai demorar a reparar as quase 500 mil casas destruídas, plantações arrasadas. O país também sofreu com a perda de toneladas de alimentos.

Muitos diplomatas e analistas atribuem o impasse nas reformas aos problemas econômicos causados pelos ciclones.

Já o novo presidente começou a acabar com algumas das muitas proibições estabelecidas por Fidel, e permitiu que cubanos pudessem comprar telefones celulares. Além disso, Raul entregou terras ociosas a camponeses.

O irmão de Fidel também prometeu reformas estruturais, mas promoveu mudanças mínimas, como a mudança de títulos de ministros que seguem à frente das mesmas pastas.

Cansados de décadas de restrições, muitos cubanos viram com alívio e esperança a ascensão de Raúl ao poder, mas o presidente manteve o socialismo, se concentrando nas mudanças econômicas.

Com a velocidade lenta nas reformas, as ruas de Cuba mostraram o desânimo da população.

Em relação às liberdades, o Governo cubano esteve recentemente em Genebra, perante a ONU, e garantiu que o país respeita os direitos humanos, ainda que a oposição diga o contrário.

A opositora Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional não viu "melhoras significativas" no primeiro ano da gestão de Castro.

Apesar da redução do número de presos políticos - 205, 29 a menos que em 29, a entidade disse que as liberdades civis, políticas e econômicas apresentam "o pior panorama em toda região ibero-americana, já que o Governo transgride todos os direitos".

Esta diminuição foi um das condições estabelecidas pela União Europeia (UE) para suspender, em junho, as sanções impostas a Havana em 2003.

A abertura do país ganhou impulso também em virtude da vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Além disso, seis presidentes latino-americanos visitaram Cuba nas últimas semanas, e Raúl Castro escolheu o Brasil como destino de sua primeira viagem oficial ao exterior.

No entanto, Fidel Castro protagonizou uma polêmica durante a recente visita da presidente chilena, Michelle Bachelet. Após recebê-la, o ex-governante escreveu um artigo no qual disse apoiar a vontade da Bolívia de ter uma saída ao Oceano Pacífico.

Fidel também criou mal-estar ao chamar a UE de hipócrita quando o bloco acabou com as sanções. Até Obama, com menos dez dias na Casa Branca, foi alvo de críticas do ex-presidente. EFE am/plc

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