Em meio a polêmica, ministro faz duras críticas a vice argentino

Buenos Aires, 10 abr (EFE).- O ministro da Justiça da Argentina, Aníbal Fernández, chamou hoje de traidor o vice-presidente Julio Cobos, a quem acusou de fazer uma campanha sem-vergonha, em meio à polêmica que cerca as eleições legislativas de junho próximo.

EFE |

Fernández disse que Cobos teve uma atitude "grosseira" ao impulsionar uma aliança opositora e rejeitar a possibilidade de que o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, liderem as listas de candidatos a deputados no distrito, o mais povoado do país.

Fora isso, o ministro lembrou que o vice-presidente se mantém destacado do Governo Cristina Kirchner desde que, em julho passado, inclinou a balança para que o Senado rejeitasse uma lei de impostos móveis à exportação de grãos em meio a um sério conflito do Executivo com o campo.

Cobos tinha dito na quinta-feira ser "uma aberração" que o Governo encoraje as candidaturas de Kirchner e Scioli, assim como a de prefeitos de populosos distritos da periferia da capital argentina.

Segundo fontes ligadas ao Governo, a estratégia governista aponta para que os funcionários reforcem suas listas de candidatos, mas não abandonem os cargos depois de escolhidos.

Aníbal Fernández, que costuma atuar como porta-voz do Governo, rejeitou as críticas da oposição, defendeu o direito dos dirigentes e funcionários a "convalidar" sua gestão nas urnas e se queixou do tratamento que a imprensa deu ao assunto.

Em declarações a rádios de Buenos Aires, o ministro afirmou que "o mais grosseiro e sem-vergonha dos dados" mostrados pelos jornais "é a presença" de Cobos "fazendo listas contra a da presidente, algo que não se viu em nenhum lugar do mundo".

Em março passado, o Parlamento aprovou uma proposta do Executivo para que as eleições legislativas que estavam previstas para 25 de outubro acontecessem em 28 de junho, quando será renovada metade das 257 cadeiras de deputados e um terço das 72 do Senado.

Julio Cobos foi expulso da União Cívica Radical (UCR), segunda força parlamentar, em 2007, quando formalizou sua aliança com o Governo e compartilhou a chapa presidencial com Cristina, vencedora do pleito de outubro desse ano. EFE alm/rr

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