Em meio a novos protestos, Irã critica interferência externa

TEERÃ - Milhares de iranianos voltaram às ruas nesta quarta-feira para protestar contra as eleições presidenciais realizadas na semana passada. Os manifestantes cobram a realização de novas eleições e reclamam de fraude na votação da última sexta-feira, que - segundo resultados oficiais - terminou com a vitória do presidente Mahmoud Ahamadinejad.

Redação com agências internacionais |


AP
Partidários de Mousavi marcham em Teerã

Partidários de Mousavi marcham em Teerã

Durante o dia, testemunhas afirmaram que uma grande multidão se reuniu em uma praça no centro de Teerã para participar de uma marcha de protesto. Muitos usavam preto como uma demonstração de luto pelas sete pessoas que morreram nos confrontos com a polícia nos últimos dias.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, é difícil verificar o número de participantes nos protestos desta quarta. Alguns estimam que entre 70 mil e 100 mil pessoas foram às ruas, outros falam em 500 mil pessoas.

Relatos indicam que a marcha desta quarta-feira, no centro de Teerã, foi silenciosa, para evitar uma provocação às autoridades. Os manifestantes levaram cartazes em que reforçavam a reclamação de fraude nas eleições. Muitas pessoas usaram preto e verde, cor associada à campanha de Mousavi.

Uma manifestação ainda maior, convocada pelo candidato derrotado nas eleições, Mir Hossein Mousavi, é esperada nesta quinta-feira. O líder oposicionista convocou uma manifestação pacífica e afirmou que será um dia de luto pelas pessoas mortas nos protestos.

As autoridades iranianas proibiram os jornalistas estrangeiros de acompanhar manifestações não autorizadas e também de se movimentar livremente pela capital, mas não há controle sobre o que esses jornalistas podem escrever ou afirmar.

'Interferência intolerável'

Em meio aos novos protestos, o governo do Irã convocou embaixadores estrangeiros para reclamar de "comentários intrometidos e impertinentes" e "interferência intolerável" de outros países em assuntos internos iranianos.

Entre os embaixadores convocados pelo Ministério do Exterior iraniano estava o enviado suíço que representa os interesses americanos no Irã.

Em Washington, o Departamento de Estado americano disse que os Estados Unidos não estão interferindo no debate que os iranianos realizam sobre a eleição da semana passada e suas consequências.

Prisões e batidas

Na manhã desta quarta-feira, relatos indicavam que duas figuras da oposição, o ativista e jornalista Reza Jalaipour e o comentarista Saeed Laylaz, foram presas no Irã. Laylaz é um analista político e econômico crítico ao governo e presença frequente na imprensa estrangeira.

Cerca de cem opositores foram presos no domingo em meio aos protestos. Muitos foram liberados posteriormente. Durante a madrugada, membros da milícia Basij teriam realizado operações em residências estudantis em diversas cidades do país. Estudantes teriam sido agredidos e prédios, revistados. O reitor da universidade na cidade de Shiraz renunciou ao cargo.

Os estudantes estão entre os mais ativos membros da oposição iraniana, e a atuação das forças policiais em ambientes estudantis tem criado tensões. No incidente mais ilustrativo dos últimos dias, 120 professores da Universidade de Teerã pediram demissão após uma batida na instituição.

Em meio à crise, o Conselho dos Guardiões do Irã - órgão que supervisiona a eleição presidencial - anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição.

Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados. A oposição diz que a recontagem seria insuficiente, já que milhões de cédulas eleitorais teriam desaparecido.

(Com informações da BBC Brasil)

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