Em meio a escândalo da melamina, balas White Rabbit já foram presente a Nixon

Antonio Broto. Pequim, 29 set (EFE).- Há 36 anos, o líder chinês Zhou Enlai presenteou o então presidente americano, Richard Nixon, com algumas balas, em sinal da aproximação entre os dois países, e aqueles doces eram da marca White Rabbit, a mesma que está atualmente envolvida no escândalo do leite chinês contaminado com melamina.

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Estas balas produzidas em Xangai, chamadas de "Dabaitu" em chinês e atualmente protagonistas de manchetes negativas na Europa e na América Latina, não são uma marca qualquer na China, onde começaram a ser produzidas há meio século.

Provavelmente, é a marca de balas mais famosa no país e um dos poucos doces que a China, cuja população é pouco adepta do açúcar, exporta para o exterior.

A empresa Guang Sheng Yuan, com 93 anos de história, é a atual produtora destas balas, que nasceu - segundo se conta - depois que um comerciante de Xangai provou doces similares vindos da Inglaterra cujo sabor lhe chamou a atenção.

As primeiras balas desta marca saíram das fábricas de Xangai em 1943 e, embora o sabor já fosse semelhante ao atual, ainda não tinham como mascote o coelho branco que lhes dá o atual nome, mas sim o Mickey Mouse, e eram conhecidas pelo nome desse personagem da Disney.

Com a chegada do regime comunista, a fabricante de doces foi nacionalizada, e os novos donos consideraram que o Mickey, um símbolo do capitalismo americano, não devia representar um produto popular chinês, substituindo seu símbolo pelo atual coelho branco.

Com um slogan que diz que sete balas White Rabbit alimentam como um copo de leite, a marca foi ficando famosa, primeiramente nacionalmente e depois no âmbito internacional, com a abertura econômica da China na década de 90.

"Atualmente, exportamos para alguns países, entre eles EUA, Austrália, Argentina, Chile, Venezuela, Reino Unido, França, Espanha e África do Sul", disse à Agência Efe um responsável da Guang Sheng Yuan.

As balas White Rabbit são facilmente encontradas em muitas lojas do país asiático e nas "Chinatown" de todo o planeta, e são presentes quase obrigatórios em casamentos, nos quais a tradição chinesa manda dar balas aos convidados.

Uma das peculiaridades deste doce é sua embalagem interna de papel de arroz transparente, uma fina folha que parece plástico, mas que pode ser comida.

A história bem-sucedida destas balas começou a ser abalada no ano passado, quando, em meio à onda de escândalos sobre produtos chineses tóxicos no mundo todo, foram detectados altos níveis de formaldeído em doces White Rabbit, e estes foram retirados das lojas do país.

Na ocasião, a China não tomou medidas contra a marca, alegando que as balas apreendidas eram versões filipinas, totalmente independentes do original.

Um ano depois, o escândalo atual atingiu muito mais a marca, ao ponto de obrigar a empresa a interromper a venda de suas balas em toda a China na sexta-feira passada, até que o escândalo do leite contaminado seja esclarecido.

As autoridades de Hong Kong, ex-colônia britânica que atualmente pertence à China, mas com um sistema de saúde independente, foram as primeiras a detectar altos níveis de melamina nestas balas, que têm o leite como um de seus principais ingredientes.

No meio de um escândalo que afetou 53 mil bebês chineses, que sofreram problemas renais após tomar leite em pó contaminado com melamina, a White Rabbit se transformou talvez na principal vítima fora do país, já que se trata de um dos poucos produtos chineses que contêm leite presentes em lojas de todo o mundo.

A Guang Sheng Yuan é filial do grupo Bright Food Group Co., cujo leite Bright Dairy é uma das marcas que apresentou altos níveis de melamina em algumas amostras de leite líquido analisadas pelas autoridades chinesas por causa do escândalo.

"Agora estamos produzindo balas com leite não contaminado e vamos substituir as que apresentaram problemas. Esperamos com isso reduzir as perdas", disse um porta-voz da empresa. EFE abc/ab/an

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