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Em meio a denúncias de golpe, Bolívia vive tensão com chegada de referendo

LA PAZ - A Bolívia enfrenta tensão com a proximidade do referendo revogatório de domingo em meio a denúncias do governo Evo Morales sobre um plano opositor para sabotar a consulta e ao aumento do temor entorno de um possível golpe de Estado.

EFE |

 

Apesar da incerteza gerada pelas brigas jurídicas, greves de fome, conflitos sociais, guerra verbal e denúncias mútuas entre o Executivo e a oposição, tudo parece encaminhado para votação que contará com mais de quatro milhões de eleitores.

Nesse dia, os bolivianos decidirão sobre a continuidade ou a revogação dos mandatos de Morales, do vice-presidente Álvaro García Linera e de oito dos nove governadores departamentais do país, exceto a de Chuquisaca, Savina Cuéllar, que tomou posse em junho.

O ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, denunciou hoje em coletiva de imprensa que "grupos antidemocráticos" ainda realizam ações violentas "para sabotar e tentar evitar" que a consulta de domingo seja realizada.

Segundo Choquehuanca, os governadores departamentais começaram a desenvolver "ações incompatíveis com a democracia" depois que, segundo ele, as enquetes tivessem previsto a vitória de Morales e a possibilidade de que alguns governadores opositores teriam seus cargos revogados.

No entanto, o chanceler não respaldou de forma explícita a denúncia formulada na véspera pelo ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, de que o país se encontra no "limiar de um verdadeiro golpe de Estado" preparado pela oposição.

"Quem disse isso? O Presidente?", respondeu o chanceler aos jornalistas, depois das perguntas sobre sua opinião a respeito da preparação de um suposto golpe denunciado por Quintana.

Choquehuanca se limitou a dizer que há um "apoio total de todos os presidentes" da região ao processo democrático com o referendo e por essa razão as nações do exterior "estarão atentas quanto ao que possa acontecer".

A denúncia de Quintana tinha sido rejeitada na véspera pelo ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2002), líder da aliança opositora Poder Democrático e Social (Podemos), que disse que o suposto golpe de Estado é uma "cortina de fumaça em que ninguém acredita".

Segundo o chanceler, Morales buscará "a todo custo evitar o confronto" com a oposição como o demonstrou esta semana ao cancelar sua reunião em Tarija com os presidentes da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, por causa dos distúrbios causados por opositores no aeroporto dessa cidade.

O clima político ainda tem como foco de tensão a greve de fome dos governadores departamentais opositores autonomistas de Santa Cruz, Beni e Pando, que estão dispostos a manter sua atitude no dia da votação, apoiados por dezenas de dirigentes cívicos.

Devem se somar a eles, nas próximas horas, o governador de Tarija, enquanto que a líder de Chuquisaca, Savina Cuéllar, anunciou finalmente que não o fará a pedido de sua região.

Os governadores departamentais opositores reivindicam ao Governo a restituição de uma porcentagem da renda petrolífera que foi destinada ao pagamento de um bônus de aposentadoria.

Por outro lado, o Governo interrompeu hoje temporariamente um grave conflito social ao conseguir um acordo com a Central Operária Boliviana (COB) para iniciar reuniões em que farão a análise das reformas da lei de pensões solicitada pelos sindicatos.

Além disso, como estabelece a lei, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) assumiu hoje o controle da Polícia e do Exército para garantir a consulta, que contará com aproximadamente 300 observadores enviados pelos Governos de América e Europa, além de organizações internacionais.

A administração de Morales foi obrigada a emitir ontem à noite um decreto com as proibições para cidadãos nas horas prévias e durante o dia de votação e que vão desde o veto ao consumo de álcool até a circulação de veículos sem autorização.

A decisão foi tomada depois que os governadores departamentais de La Paz, Cochabamba, Beni e Pando se negassem a emitir as resoluções nesse sentido, por acreditarem que o referendo é ilegal.

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