Em meio à crise, presidente da Rússia promete reforma eleitoral

Medvedev propõe retomar eleição para governador e suavizar regras para criação de partido, mas ignora pedido por nova votação

iG São Paulo |

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, propôs reformas no sistema político do país, numa tentativa de acalmar manifestantes que prometem fazer novos protestos contra supostas fraudes nas eleições parlamentares do país. Em discurso no Parlamento, o líder também avisou que o governo não vai permitir que “provocadores e extremistas” ameacem a estabilidade.

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Medvedev propõe reforma eleitoral durante discurso em Moscou, capital da Rússia

Em seu último discurso anual no Parlamento, Medvedev, que deixará a presidência no ano que vem, disse que a Rússia “precisa de democracia, não de caos”. “Quero dizer que ouvi e compreendi os que falaram sobre a necessidade de mudanças”, afirmou. “Temos de dar a todos os cidadãos a oportunidade de participar da vida política.”

Entre as medidas propostas por Medvedev está restabelecer as eleições para governadores, atualmente indicados pelo governo central.

Ele também afirmou que, pelas novas regras, um grupo de 500 pessoas que represente mais da metade das províncias russas terá permissão para formar um partido – uma simplificação da determinação atual, segundo a qual uma legenda precisa ter pelo menos 45 mil integrantes.

Outra proposta de Medvedev é que uma candidatura presidencial se torne possível com a assinatura de 300 mil pessoas, e não de 2 milhões como atualmente. Ele também prometeu suavizar o rígido controle sobre as emissoras de TV, que terão permissão para fazer a cobertura das eleições sem interferência do governo.

Medvedev, porém, ignorou a principal reivindicação dos manifestantes que lotaram as ruas após a eleição do dia 4: realizar uma nova eleição, por causa de supostas fraudes e alterações de resultado. Uma nova manifestação está programada para acontecer no sábado em Moscou.

A oposição considerou as propostas do presidente insuficientes. Um dos líderes oposicionistas, Boris Nemtsov, disse que os manifestantes continuarão pressionando por uma nova eleição. “Não teríamos ouvido nenhuma dessas propostas se não tivéssemos protestado”, afirmou, em entrevista à rádio Ekho Moskvy.

Na quarta-feira, dois lideres da oposição na Rússia foram soltos após passar 15 dias na prisão por liderarem protestos contra as eleições. O advogado e blogueiro Alexei Navalny e o dirigente do movimento liberal Solidarnost, Ilya Yashim, foram presos em 5 de dezembro, durante um ato que reuniu mais de 5 mil manifestantes.

“O que aconteceu foi extraordinário”, disse Navalny ao deixar a prisão em Moscou. “Fomos presos em um país e estamos sendo libertados em outro.”

Com AP e Reuters

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