Em meio à crise, premiê do Peru diz que deixará o cargo

O primeiro-ministro do Peru, Yehude Simon, anunciou nesta terça-feira que deixará o cargo nas próximas semanas, por causa dos violentos conflitos entre policiais e indígenas que já deixaram 34 mortos na região da Amazônia peruana.

BBC Brasil |

Reuters
Yehude Simon posa com policiais e indígenas após reunião nesta segunda-feira

Simon posa com policiais e indígenas após reunião na segunda-feira

Simon afirmou, porém, que permanecerá no cargo o tempo necessário para resolver os conflitos, que são considerados a crise política mais grave do governo do presidente Alan García, no poder desde 2006.

Ex-ativista de esquerda, Simon foi escolhido por García para ser primeiro-ministro no ano passado, por ser considerado um grande negociador.

Ele era visto por analistas políticos como uma peça-chave para o governo, porque poderia solucionar os conflitos sociais que existem no país, principalmente nas regiões mineiras.

Acordo

Os protestos na região amazônica foram iniciados há cerca de dois meses. Os manifestantes protestaram contra decretos legislativos, aprovados recentemente pelo governo, que permitiriam o investimento de madeireiras e empresas estrangeiras de mineração e energia em áreas que os indígenas consideram próprias de sua comunidades.

Há 11 dias, violentos confrontos tiveram início na cidade de Bágua, quando policiais foram enviados para liberar uma estrada que havia sido bloqueada por 2,5 mil indígenas.

Na segunda-feira, representantes do Poder Executivo e líderes das etnias indígenas se reuniram na cidade de San Ramón e, depois de duas horas de diálogo, assinaram um acordo de conciliação. Segundo o documento, o governo se compromete a propor a anulação dos decretos até o dia 18.

Como medida para diminuir a violência e evitar mais mortes, o governo decretou estado de emergência na região. Segundo as autoridades peruanas, o estado de emergência só será levantado quando as comunidades indígenas desbloquearem totalmente as estradas.

Para o ministro do Meio Ambiente, Antonio Brack, a decisão tomada pelo governo na última reunião com as comunidades indígenas é um retrocesso para o país e pode afetar o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.

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