Em meio a crise, ONU vai distribuir mais alimentos

Por Megan Rowling DUBLIN (Reuters) - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU espera aumentar em um terço o número de pessoas atendidas neste ano por suas doações, apesar da crise financeira global, disse sua vice-diretora-executiva Sheila Sisulu em entrevista na quarta-feira.

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Ela disse que a inclusão de 30 milhões de beneficiários irá contrabalançar a redução nos custos com alimentos e combustíveis.

Em 2008, o PMA está ajudando 90 milhões de pessoas, e a agência pretende ampliar sua atuação para áreas urbanas que mergulharam na pobreza devido à carestia dos dois últimos anos.

"Se essa gente agora perder seu emprego por causa da crise financeira, então veremos o efeito novamente na insegurança em alguns países, distúrbios e assim por diante", disse Sisulu à Reuters antes de uma conferência sobre a fome, organizada pela ONG Concern Worldwide. "Veremos o efeito da crise financeira na estrada da aldeia."

Quem sobrevive do dinheiro enviado por parentes no exterior também deve enfrentar dificuldades, já que a crise pode provocar desemprego nos países ricos e, consequentemente, menos remessas, disse Sisulu.

Por isso, a agência deve solicitar aos doadores em 2009 a mesma ajuda deste ano, quando o encarecimento dos itens essenciais obrigou o PMA a dobrar o seu orçamento, para quase 6 bilhões de dólares.

Os preços internacionais dos alimentos declinaram desde então, em parte devido à desaceleração econômica global. Em setembro, atingiram a menor cotação em nove meses, mas continuam 51 por cento acima do preço de dois anos atrás, segundo a FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura).

Sisulu disse que o impacto da crise alimentar global pode se agravar justamente quando o problema está deixando a pauta.

"Acho que vai piorar, menos como correlação direta da crise financeira, mais porque as pessoas estão ficando complacentes", disse ele. "Só porque está fora das manchetes, as pessoas acham que acabou."

Mas, nos próximos meses, países que tiveram quebra de sabras, como Etiópia e Zimbábue, precisarão de mais ajuda alimentar.

No caso do Zimbábue, a agência estima que o número de desnutridos passará de 2 para 5 milhões antes da próxima safra, e que nos próximos seis meses será necessário gastar 140 milhões com a ajuda alimentar no país.

"Se você pega o sul da África, estamos entrando na entressafra. Quem perder seu emprego agora perde a época do plantio, e isso irá ampliar a pressão sobre números como o do Zimbábue", disse ela.

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