Em meio à crise, Cuba flexibiliza regras para a venda de açúcar

Raúl Castro tenta reduzir papel do Estado na economia, em decorrência da crise econômica

BBC Brasil |

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O governo de Cuba anunciou que vai liberalizar a venda de açúcar, após passar décadas subsidiando o preço do produto, um dos seus principais itens de exportação. Este é o mais recente passo dado pelo governo de Raúl Castro para reduzir o papel do Estado na economia e incentivar a iniciativa privada na ilha comunista, em resposta a uma grave crise econômica.

Os cubanos vão continuar podendo comprar apenas uma porção limitada de açúcar, dentro de suas cadernetas de ração - cujo uso o governo cubano também pretende eliminar gradualmente. O jornal estatal Juventud Rebelde afirma que o açúcar deve "gradualmente" ser retirado do controle do Estado para ser vendido em lojas e supermercados, onde o preços são muito maiores.

A publicação não diz em quanto tempo isto será implementado. Segundo o jornal, a medida é especialmente necessária depois das reformas econômicas anunciadas por Castro em setembro do ano passado. Uma das medidas é a demissão de cerca de 1 milhão de servidores públicos, que serão encorajados a procurar emprego no setor privado. Além disto, as leis que regulamentam a criação de micro e pequenas empresas, assim como do trabalho de autônomos, foram radicalmente liberalizadas em Cuba.

Depois disso, milhares de cubanos se registraram para obter licenças de trabalho e para abrir seus negócios - especialmente restaurantes, que utilizam grandes quantidades de açúcar. "A venda liberada de açúcar, tanto em sua forma refinada quanto na crua, é uma decisão esperada e necessária, acima de tudo devido ao desenvolvimento bem-sucedido do setor autônomo", afirmou o Juventud Rebelde .

O governo também anunciou que o preço do arroz importado - outro genero importante na cesta de alimentos dos cubanos - deve aumentar em mais de 40%. Na sexta-feira, a Câmara de Comércio Estados Unidos-Cuba, com sede em Nova York, afirmou que a venda de alimentos para a ilha caiu 31% em 2010, espeicalmente porque o país não tinha divisas para pagar pelas importações.

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