Em meio a crise, candidatos dos EUA propõem reformas financeiras

Por Jeff Mason LAKE ORION, Estados Unidos (Reuters) - O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, exigiu na quarta-feira o fim da cultura do cassino em Wall Street, enquanto seu rival democrata, Barack Obama, cobrou mais proteção financeira para os cidadãos comuns, num dia em que o mercado voltou a despencar após a injeção de dinheiro público em uma grande seguradora.

Reuters |

A crise financeira, a pior desde a Grande Depressão, mantém a economia como o principal tema da campanha eleitoral norte-americana. McCain, que tradicionalmente defende a não-intervenção do Estado na economia, se junta agora a Obama na exigência por novas regras para acabar com a permissividade de Wall Street.

Desde domingo, o banco Lehman Brothers faliu, seu concorrente Merril Lynch foi vendido e o Federal Reserve (Banco Central) assumiu o controle da seguradora AIG.

'Essas ações derivam da regulamentação falha, gerenciamento desleixado e uma cultura de cassino em Wall Street que paralisou uma das empresas mais importantes da América', disse McCain.

'Precisamos de regulamentos fortes e eficazes, uma volta ao crescimento que crie empregos, e uma restauração da ética e do contrato social entre as empresas e a América', acrescentou.

Obama usou um anúncio de dois minutos para falar de economia e pedir o fim da 'cultura do 'vale-tudo' em Wall Street, com uma regulamentação real que proteja seus investimentos e pensões'.

Falando a cerca de 1.800 simpatizantes em um parque de Elko, Nevada, Obama ironizou a 'conversão' de McCain à regulamentação dos mercados e seus supostos tropeços ao falar de economia.

'Sua primeira reação à crise na segunda-feira foi se levantar e repetir a frase que ele tem dito vez após vez nesta campanha -- cito: 'Os fundamentos da nossa economia estão fortes'', disse Obama, lembrando que a quarta-feira foi o pior dia em Wall Street nos últimos sete anos.

Relutantemente, ambos os candidatos apoiaram a ajuda oficial à AIG.

'Quanto à ajuda em si, eu não queria fazer isso. [Mas] havia literalmente milhões de pessoas cuja aposentadoria, cujos investimentos, cujo seguro estavam em risco aqui, e elas teriam suas vidas destruídas por causa da cobiça, do excesso e da corrupção', disse McCain à rede ABC.

Obama divulgou nota dizendo que a virtual estatização da seguradora é 'o veredicto final sobre a fracassada filosofia econômica dos últimos oito anos'.

No comício de Elko, mais tarde, ele afirmou que o Fed de fato deveria agir para evitar uma crise ainda maior.

Ambos defenderam que a ajuda beneficie apenas clientes da AIG, e não seus diretores, acionistas e especuladores.

Em uma montadora da GM em Lake Orion, Michigan, McCain disse que o plano de Obama não gera crescimento econômico. 'Ele tem dito nos últimos dias que pode adiar o seu plano econômico por causa do impacto adverso dos seus aumentos de impostos. Até mesmo o senador Obama admite que a agenda que ele propõe iria prejudicar a economia ao invés de ajudá-la. Essa é exatamente a abordagem errada.'

McCain insistiu que estava se referindo aos trabalhadores norte-americanos quando disse na segunda-feira que os fundamentos da economia são sólidos. '[Os trabalhadores] são o fundamento da América, eles ainda estão fortes', afirmou o republicano à ABC.

A campanha de Obama não pareceu engolir a explicação. 'Se John McCain acha que os fundamentos da nossa economia são sólidos, então há algo de fundamentalmente errado com a sua compreensão da economia', disse Tommy Vietor, porta-voz do candidato.

(Reportagem adicional de Caren Bohan)

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