Em meio a acusações de fraude, golpista triunfa na Mauritânia

Maaruf Ould Udaa. Nuakchott, 19 jul (EFE).- Mohammed Ould Abdelaziz, general que comandou o golpe de Estado de agosto de 2008, venceu as eleições da Mauritânia realizadas ontem e será o próximo presidente do país, segundo anunciou hoje o ministro do Interior, Mohammed Ould Rzeizim.

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Apesar disso, os líderes da oposição acusaram o ex-chefe da Junta Militar de ter orquestrado uma fraude eleitoral para se tornar presidente.

Em coletiva de imprensa, Rzeizim anunciou que Abdelaziz obteve 52,58% dos votos e, com isso, será proclamado presidente sem necessidade de segundo turno.

O ministro do Interior - designado pela oposição dentro do Governo de união nacional - ressaltou que não recebeu nenhuma queixa oficial sobre fraude nas eleições.

Além disso, destacou que o pleito, que registrou participação de 64% dos eleitores, aconteceu "dentro da disciplina e em boas condições".

A proclamação da vitória de Abdelaziz pelo Ministério do Interior precisa ser referendada agora pelo Conselho Constitucional do país.

O líder opositor, Mesaud Ould Buljeir, após ficar em segundo nas votações com 16% dos votos, leu um comunicado em seu nome e no de outros três candidatos denunciando uma grande fraude com o objetivo de legitimar o golpe de Estado.

Atrás de Buljeir em votos, ficaram o eterno candidato à Presidência, Ahmed Ould Dadah, e o líder da lista dos muçulmanos, Mohammed Yemil Ould Mansur.

Os opositores acusaram Abdelaziz de "manipulação do censo eleitoral, utilização de meios materiais e humanos do Estado, corrupção e compra de votos, e falsificação de carteiras de identidade e títulos de eleitor".

No entanto, as palavras do ministro do Interior, encarregado de validar os resultados, geram questionamentos sobre essas acusações, já que Rzeizim foi designado pela oposição, após acordar com os golpistas em junho um Governo de união nacional com a missão de organizar as eleições.

O próprio Rzeizim foi detido nas primeiras horas do golpe de Estado de 6 de agosto do ano passado e posto em liberdade cinco dias depois.

O representante do Grupo de Contato Internacional para a Mauritânia, o chadiano Mohammed Saleh Nadiv, disse à Agência Efe não ter "recebido até agora nenhuma queixa apoiada com provas" sobre uma suposta fraude eleitoral, embora tenha pedido que se espere pelo relatório definitivo dos observadores.

O Grupo de Contato Internacional, que intermediou na resolução da crise no país, é integrado por, entre outros, União Europeia, União Africana, ONU, Liga Árabe e membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Nadiv explicou que dois elementos constatados nas eleições pelos observadores representam "índices positivos sobre a transparência da operação".

Segundo ele, por um lado, os eleitores foram em grande número e com entusiasmo às urnas, e, por outro, nos colégios eleitorais se encontravam representantes dos diferentes candidatos em disputa.

A Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni), composta de forma paritária por membros designados pelos golpistas e pela oposição, também terá que validar em seu relatório as eleições.

Agora, a Mauritânia espera para ver qual será a reação dos adversários de Abdelaziz, uma vez que o ministro do Interior constatou o bom andamento das eleições e a vitória do militar. EFE mo/rr

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