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Em medida agressiva, EUA lança plano para compra de ativos podres

Paco G.Paz.

EFE |

Washington, 23 mar (EFE).- O Tesouro dos Estados Unidos lançou hoje sua medida mais agressiva para sanear os bancos e restaurar o fluxo no mercado de crédito ao anunciar que comprará, junto a investidores privados, ativos "podres" no valor de até US$ 1 trilhão.

A medida, muito esperada pelos investidores, foi recebida com entusiasmo nas bolsas de valores. Wall Street, por exemplo, subia quase 4% na metade da manhã de hoje impulsionada pelas ações dos bancos.

Há semanas, especialistas criticavam o Governo do presidente americano, Barack Obama, ao dizer que tinha se distraído com outros planos em vez de atuar com contundência no epicentro da crise econômica, no caso, a má saúde do sistema bancário.

No dia 10 de fevereiro, as bolsas desabaram ao observar, decepcionadas, que o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, convocou a imprensa para falar do plano e concluiu seu discurso sem dar detalhes do mesmo.

Atualmente, os bancos nos EUA têm suas contas "contaminadas" por ativos de má qualidade, fundamentalmente vinculados às hipotecas "subprime", o que os impede de recorrer aos mercados de crédito e, portanto, contar com recursos suficientes para emprestar dinheiro às empresas e às famílias.

Com o mercado de crédito quase paralisado, o Departamento do Tesouro dos EUA elaborou um plano que recupere os bancos sem nacionalizá-los, como pedem os legisladores republicanos.

O plano consiste em tirar dos balanços dos bancos todos estes ativos do mercado imobiliário que não têm liquidez e que estão "contaminando" suas contas. A compra será feita com dinheiro público e de investidores privados.

O próprio Timothy Geithner disse hoje em entrevista coletiva que os investidores privados têm que estar dispostos a "assumir alguns riscos" se quiserem que a medida funcione.

O objetivo é conseguir retirar dos balanços bancários cerca de US$ 500 bilhões em ativos "podres", mas o programa pode ser ampliado até US$ 1 trilhão caso funcione.

De início, o Governo dos EUA usará neste "Programa de Investimento Público-Privado" entre US$ 75 e US$ 100 bilhões procedentes do plano de resgate financeiro que a Administração do ex-presidente americano George W. Bush lançou em outubro passado, dotado de US$ 750 bilhões.

Curiosamente, a ideia inicial do plano de resgate anterior era justamente adquirir os ativos "podres", mas o Governo Bush decidiu destinar a primeira metade dos fundos para o conjunto de acionistas dos bancos.

No entanto, esta medida não só não serviu para restaurar o fluxo do crédito, como também deu às entidades financeiras dinheiro novo para remunerar seus acionistas e seus altos executivos, o que enraiveceu a opinião pública americana e frustrou os legisladores.

Agora, o Governo Obama pôs todas suas esperanças na compra dos ativos "podres" dos balanços bancários, iniciativa que conta com certa complexidade e muitos riscos.

Uma das dificuldades principais é como avaliar estes ativos. Se o Governo põe um preço baixo, os bancos não os venderão; se ficarem valorizados, a opinião pública fará oposição ao plano.

Uma das principais incertezas em relação ao plano está ligada à capacidade de o Governo do EUA atrair os investidores privados, como fundos de investimento, fundos de pensões e companhias de seguros, a participarem da compra dos ativos "podres".

Não é só o sistema financeiro americano que depende do triunfo ou do fracasso do plano, mas também o futuro do próprio Geithner, jovem profissional que dirigia até pouco tempo atrás o Federal Reserve (banco central dos EUA) de Nova York e que já sofreu duras críticas por ter participado da elaboração do plano de resgate de Bush.

Até agora, vários senadores republicanos pediram sua demissão. No domingo passado, um deles, Richard C. Shelby, membro do comitê bancário do senado americano, previu que, "se as coisas continuarem neste rumo, (Geithner) não vai durar muito em seu posto".

Barack Obama saiu em defesa de sua equipe econômica e garantiu ter "completa confiança" no secretário do Tesouro americano.

"Ninguém trabalha com tanta inteligência, disciplina e tão duramente como ele", disse o presidente dos EUA na semana passada.

EFE pgp/bba

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