Em luto, Noruega homenageia vítimas de massacre

Duplo ataque lançado na sexta-feira contra prédios do governo em Oslo e acampamento juvenil deixa mais de 90 mortos

iG São Paulo |

Pessoas acenderam velas e colocaram flores no centro de Oslo neste sábado para prestar homenagem às vítimas de um duplo ataque contra o quartel-general do governo na capital da Noruega e contra um acampamento juvenil na Ilha de Utoya, que deixou mais de 90 mortos . O número de mortos deve subir, no entanto, porque a polícia afirma haver ainda corpos não recuperados em prédios de Oslo e até cinco desaparecidos em Utoya.

De acordo com o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, o massacre é a pior violência no país desde a Segunda Guerra Mundial . Os atentados também são a maior matança na Europa desde os de 11 de março de 2004 em Madri, que deixaram 191 mortos.

Em uma coletiva, a polícia confirmou neste sábado que conduz a investigação para saber se havia mais de um atirador no ataque lançado na ilha, que durou 90 minutos . "É muito difícil saber se o atirador atuou sozinho ou se fazia parte de uma rede", disse uma fonte policial, acrescentando que o suspeito preso na ilha admitiu ter disparado contra as pessoas no local.

A polícia também confirmou que o ataque lançado contra prédios do governo da capital do país foi feito com um carro-bomba.

O primeiro-ministro qualificou de "tragédia nacional" o duplo atentado. "Nosso país jamais havia sido afetado por um crime dessa magnitude desde a Segunda Guerra Mundial", disse. "É um pesadelo", afirmou, referindo-se "ao medo, ao sangue e à morte" que enfrentaram os jovens reunidos em Utoya em um evento organizado pelo governista Partido Trabalhista.

Os ataques na ilha deixaram ao menos 85 mortos, enquanto a explosão contra os prédios do governo em Oslo mataram ao menos 7.

De acordo com a polícia, o suspeito pelos dois atos, que foi detido na sexta-feira na Ilha de Utoya, é um " fundamentalista cristão " de 32 anos que foi interrogado neste sábado. A imprensa norueguesa o identificou como Anders Behring Breivik, mas a polícia ainda não informou o nome do preso.

Segundo o canal TV2, o suspeito está vinculado a extremistas da ultradireita e possuía duas armas registradas em seu nome. Outro meio de comunicação norueguês informou que o homem se apresentava em sua conta no Facebook como "conservador", "cristão" e interessado em caça e videogames como World of Warcraft e Modern Warfare 2.

Segundo Oddny Estenstad, uma porta-voz da Central de Compras Agrícolas, o suspeito havia comprado seis toneladas de fertilizantes desde maio. "Vendemos a ele seis toneladas de fertilizantes, o que representa um pedido relativamente diferente", disse. Ela não quis detalhar a natureza dos produtos fornecidos nem se poderiam entrar na composição de explosivos artesanais.

Ele teria conseguido comprar essa quantidade de fertilizantes por ter a empresa Breivik Geofarm, uma companhia agrícola para o cultivo de vegetais.

Visita à ilha de Utoya

O primeiro-ministro da Noruega visitou neste sábado a Ilha de Utoeya, palco do ataque contra membros da ala juvenil de seu partido e onde o líder disse ter iniciado sua carreira política. "A Noruega é um pequeno país, mas com um forte espírito de solidariedade", disse. "Recuperaremos esse lugar como nossa ilha", disse o premiê, que deseja superar o "peso da tragédia" de sexta-feira.

Neste sábado, Stoltenberg também se reuniu com parentes e vítimas do massacre em um hotel Sundvolden, onde um homem de cerca de 20 anos foi detido por supostamente segurar uma faca em frente do local.

Previamente, o premiê havia dito sobre o ataque na ilha: "O fato dói ainda mais porque Utoya é um lugar onde vou a cada verão, desde 1974. Ali conheci a alegria, o compromisso e a segurança. O local, famoso agora por uma violência brutal, era um paraíso da juventude que se transformou em inferno em poucas horas", afirmou.

Veja no mapa os locais dos ataques:

Arte/ iG
Capital Oslo e ilha de Utoya são alvos de atentados na Noruega

* Com BBC, EFE e AFP

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