Em livro, Condoleezza Rice narra brigas com Cheney e encontro com Kadafi

Obra da ex-secretária de Estado americana também recorda proposta de ex-premiê israelense que previa criação de Estado palestino

iG São Paulo |

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A capa do livro de Condoleezza Rice, "No Higher Honor"
Chega às livrarias dos Estados Unidos nesta terça-feira o livro de memórias da ex-secretária de Estado americana Condoleezza Rice, no qual recorda os principais momentos do governo do presidente George W. Bush (2001-2009), fala sobre a “fascinação” do ditador líbio Muamar Kadafi por ela e lamenta o fracasso de uma proposta do ex-premiê israelense Ehud Olmert que previa a criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967.

Na obra de 734 páginas, intitulada “No Higher Honor: A Memoir of My Years in Washington” (“Nenhuma Honra Maior: Memórias de Meus Anos em Washington”, em tradução livre), Condoleezza demonstra apoio a maior parte das decisões de Bush, de quem era considerada extremamente próxima.

A ex-secretária de Estado, porém, afirma que por vezes se sentiu menosprezada por Bush durante debates sobre a reconstrução do Iraque. Condoleezza também revela discussões constantes com o vice-presidente Dick Cheney e o secretário de Defesa Donald Rumsfeld.

O principal tema de discussões, segundo ela, era o destino de prisioneiros suspeitos de terrorismo. No livro, Condoleezza afirma que Cheney tinha “uma mente radicalmente fechada” e que certa vez chegou a dizer a ele que o governo americano não podia simplesmente “desaparecer” com os suspeitos de terrorismo, como em Estados autoritários.

Rumsfeld, segundo Rice, evitava entrar em qualquer discussão sobre a questão dos prisioneiros da guerra ao terror. “Eu não lido com isso”, teria dito o então secretário de Defesa antes de abandonar uma reunião.

Cantada de Kadafi

No livro, Condoleezza Rice também relata seu encontro em 2008 com o então líder da Líbia, Muamar Kadafi, morto em outubro . De acordo com Condoleezza, o ditador líbio demonstrou uma “espantosa fascinação” por ela, chegando a convidá-la para uma visita a sua tenda particular.

Na tenda os dois assistiram ao vídeo de uma canção que Kadafi mandou compor em homenagem à Condoleeza, intitulada “A Flor Negra da Casa Branca”.

"Era um coleção bastante inocente de fotos minhas com líderes mundiais ao som da canção composta por um músico líbio", afirmou. "Foi estranho, mas pelo menos não foi vulgar."

Quando rebeldes líbios tomaram o quartel-general de Kadafi em Trípoli , em agosto, foram descobertas várias fotos de Condoleezza Rice que o coronel guardava.

Estado palestino

Condoleezza também escreve que, em maio de 2008, o governo americano esteve perto de conseguir uma solução para o impasse no Oriente Médio.

Na ocasião, o então primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, aproveitou um encontro com Condoleezza para apresentar um acordo sem precedentes para criar um Estado palestino, que incluía o respeito às fronteiras de 1967, a divisão de Jerusalém e o "direito de retorno" a 5 mil palestinos.

"Estou realmente ouvindo isso?", teria dito Condoleezza. "Preste atenção. Tomarei nota. Não, não vou anotar. E se vazar?".

Pouco tempo depois, Olmert teria apresentado o plano em segredo para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. O líder palestino pediu tempo para consultar seus assessores, o que incomodou Olmert.

"Todos os outros elementos seguiam sobre a mesa, incluindo a divisão de Jerusalém, mas Olmert exigiu que Abbas firmasse tudo naquele momento’, escreveu Condoleezza. "O líder israelense me disse que se reuniria com Abbas e seus assessores no dia seguinte, mas ao que parece este encontro nunca aconteceu".

Atualmente, Condoleezza é professora de Política Internacional na Universidade de Stanford.

Com AFP, EFE e informações do New York Times

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