Em Kiev, chanceler britânico apóia política pró-Ocidente da Ucrânia

Kiev, 27 ago (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, que visita Kiev para dar apoio ao Governo pró-Ocidente da Ucrânia, declarou hoje que o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, tem a responsabilidade de não suscitar uma nova Guerra Fria.

EFE |

"Nós não queremos outra Guerra Fria e o presidente da Rússia tem a responsabilidade de não provocá-la, embora diga que não a teme", afirmou Miliband na Ucrânia, primeiro país que visita para formar "a maior coalizão possível contra a agressão russa na Geórgia".

Miliband reiterou que considera "inaceitável e injustificável" a decisão da Rússia de reconhecer a independência das regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul - em um claro desafio ao Ocidente - e confirmou seu apoio à integridade da Geórgia.

O chefe da diplomacia britânica afirmou que, diante desta nova situação, o grupo dos sete países mais industrializados (integrado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Itália) terá de rever o grau de suas relações com a Rússia.

"Devemos rever a natureza, a profundidade e a amplitude de nossas relações com a Rússia", embora sem procurar seu "isolamento internacional", que seria "contraproducente", afirmou Miliband.

Ele acrescentou que os ministros de Assuntos Exteriores destas sete nações realizarão nos próximos dias uma videoconferência para traçar uma política comum para a Rússia, convidada para ingressar no grupo em 1997 como oitavo membro em um respaldo às reformas de seu primeiro presidente, Boris Yeltsin.

O chanceler também advertiu que a bolsa de valores russa e o comércio deste país com a Europa serão as primeiras vítimas de um novo confronto, caso Moscou continue "desafiando a comunidade internacional e ameaçando seus países vizinhos".

"A Europa precisa do gás russo, mas em igual medida a Rússia e sua companhia Gazprom necessitam dos consumidores e dos investimentos europeus", destacou.

Miliband reafirmou o apoio do Reino Unido às políticas ucraniana e georgiana de ingresso na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Européia (UE) e pediu a Kiev que reveja seus vínculos com Moscou, para manter "uma cooperação entre iguais".

"As portas da Otan e da União Européia devem estar abertas para a Ucrânia", disse ele, segundo a agência de notícias "Unian".

O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, é o único líder da comunidade da antiga União Soviética que condenou tanto a entrada do Exército russo na Geórgia como o reconhecimento por Moscou da independência das regiões separatistas georgianas.

Yushchenko disse que este passo da Rússia "ameaça a segurança em todo o espaço da antiga União Soviética" e que a Ucrânia é refém da política cada vez mais agressiva de Moscou.

Segundo o presidente ucraniano, a principal lição do conflito na Geórgia é que "nenhum país é capaz de garantir sozinho sua segurança", tarefa que a Ucrânia só poderá resolver mediante sua entrada na Otan e na UE.

Yushchenko declarou que a decisão do Kremlin "ameaça a paz e a estabilidade na região e no espaço europeu, mina a ordem internacional existente, viola os princípios da Carta da ONU e supõe uma mudança ilegal das fronteiras e uma manifestação de pressões e de intervenção com uso da força".

Após ser divulgada a decisão do Kremlin sobre a Geórgia, a Chancelaria ucraniana cancelou uma visita à Rússia do vice-ministro de Assuntos Exteriores, Yuri Kostenko, ao considerar "inoportuno realizar consultas" nesta situação.

Miliband advertiu que a Ucrânia deve evitar "dar pretextos" para possíveis ações hostis da Rússia, para não ser o próximo alvo de sua nova política externa, que o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, chamou de "neo-imperialismo russo".

O comissário europeu de Ampliação, Olli Rehn, declarou hoje mesmo que "Ucrânia pode se transformar no próximo alvo das pressões políticas da Rússia" e opinou que Bruxelas deve apoiar com clareza sua vontade de integração.

"Do ponto de vista da estabilidade, é importante que a União Européia dê um sinal político claro de que a integração da Ucrânia será possível sempre que o país continuar as reformas que correspondem aos valores europeus", ressaltou Rehn. EFE bk/rb/rr

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