Em julgamento na Suíça, brasileira diz ter sido agredida

ZURIQUE - A brasileira Paula Oliveira, acusada de forjar um ataque de neonazistas na Suíça, disse hoje a um juiz do tribunal de Zurique que não se lembra de ter se auto flagelado e manteve a primeira versão dada a polícia. Eu fui agredida, disse.

Agência Estado |

"Essa versão dos fatos corresponde à verdade que está gravada na minha cabeça." O advogado de defesa da brasileira tenta apresentar Paula Oliveira como alguém que sofre de problemas psiquiátricos.

Nos dias seguintes à suposta agressão, em fevereiro, Paula confessou à polícia de Zurique que tudo não havia passado de uma farsa. Agora ela apresenta uma nova versão dos fatos em seu julgamento.

Paula, que até hoje tem seu passaporte retido pela Justiça, responde no Tribunal de Zurique pelo crime de "induzir a Justiça ao erro". Segundo a reportagem apurou, a brasileira pode ser condenada a pagar uma multa de R$ 10 mil pela armação.

A Procuradoria de Zurique, que por sete meses investigou o caso, não pediu que a brasileira seja presa por considerar que uma pena financeira já seria suficiente. Ainda assim, os suíços decidiram aliviar a situação da acusada. O pedido é para que ela pague os R$ 10 mil apenas se cometer uma nova infração.

Entenda o caso

Em fevereiro, a brasileira chamou a polícia e contou que havia sofrido um ataque na periferia de Zurique. Ela dizia estar grávida e ter sido agredida por neonazistas. Em seu primeiro depoimento, Paula disse ter sofrido um aborto de gêmeos e o caso mobilizou a diplomacia brasileira.

O governo chegou a preparar uma ação na Organização das Nações Unidas (ONU), alegando um ataque xenófobo, e um verdadeiro circo político foi montado para atender a brasileira.

Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a fazer declarações, apontando para a "incrível violência contra uma mulher brasileira no exterior". Outros ministros lembraram o Holocausto. O pai da brasileira, Paulo Oliveira, era assessor de um parlamentar.

Sigilo

Agora, a ordem é sigilo total diante da acusação de armação. Para a polícia, Paula confessou nos dias seguintes ao ataque que tudo não passava de uma armação. Um laudo médico feito pela Universidade de Zurique provou que ela não estava grávida.

Seu pai, Paulo Oliveira, continuou mantendo por semanas a tese de que não duvidaria da palavra de sua filha. Um processo foi aberto contra a brasileira e ela foi formalmente acusada.

Caberá a um juiz do tribunal decidir a pena e se Paula sofria de distúrbios mentais. A procuradoria sequer citou o fator psiquiátrico na denúncia.

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