Em Jerusalém, papa reafirma amizade com judeus e diálogo com o Islã

Juan Lara. Jerusalém, 12 mai (EFE).- Pela primeira vez na história, um papa celebrou hoje uma missa ao ar livre em Jerusalém, em um dia no qual Bento XVI orou no Muro das Lamentações, onde reafirmou o compromisso de reconciliação com os judeus, visitou a Esplanada das Mesquitas e reiterou o apoio aos cristãos.

EFE |

Em um dia de momentos significativos, Bento XVI visitou três locais sagrados para muçulmanos, judeus e cristãos, respectivamente: a mesquita da Cúpula da Rocha, o Muro das Lamentações e o Cenáculo, onde, de acordo com a tradição cristã, Jesus Cristo celebrou a Última Ceia.

Além disso, o pontífice celebrou uma missa no vale de Josafat, nos arredores do Monte das Oliveiras, outro lugar relacionado com as tradições cristãs.

Bento XVI também foi o primeiro pontífice na história a pisar - descalço, como prevê a liturgia muçulmana - na mesquita da Cúpula da Rocha, local sagrado para o Islã e de onde, segundo a tradição, o profeta Maomé subiu aos céus.

Diante do Grande Mufti (máxima autoridade religiosa muçulmana) de Jerusalém, Mohammed Ahmed Hussein, o papa defendeu um "diálogo sincero para construir um mundo de justiça e paz para as gerações futuras".

O Grande Mufti pediu ao pontífice para que "interceda com o objetivo de interromper as agressões contra nosso povo, nossa terra e nossos lugares sagrados em Jerusalém, Gaza e Cisjordânia".

Da Esplanada das Mesquitas, o papa seguiu para o Muro das Lamentações - o local mais sagrado para a religião judaica -, onde rezou e colocou um pedido entre as pedras da construção, como costumam fazer os judeus, no qual pediu paz na Terra Santa e no Oriente Médio.

Em seguida, Bento XVI assegurou perante os Grandes Rabinos de Jerusalém que a Igreja Católica está comprometida "de forma irrevogável" com o caminho marcado pelo Concílio Vaticano II para uma "autêntica e duradoura reconciliação entre cristãos e judeus".

Em seu segundo dia em Jerusalém, o papa visitou o Cenáculo, onde disse que os cristãos do Oriente Médio estão contribuindo "de maneira responsável, apesar das dificuldades e restrições, à consolidação da paz" na região.

O dia carregado de simbolismos terminou no Vale de Josafat, onde Bento XVI denunciou que a paz continua ameaçada na Terra Santa devido ao egoísmo, ao conflito, à divisão e ao peso de "ofensas passadas".

O pontífice pediu a cristãos, judeus e muçulmanos para que "promovam a cultura de reconciliação e a paz, por mais lento que seja o processo e oneroso o peso das lembranças".

O dia também foi marcado pelas críticas da imprensa israelense às condenações feitas ontem pelo papa sobre o Holocausto e o anti-semitismo, as quais teriam sido "curtas" e sem palavras como "perdão" ou "remorso".

Alguns jornais israelenses lamentaram o fato de o papa não ter falado sobre a responsabilidade dos nazistas no Holocausto e afirmaram que isso seria necessário levando em conta "seu passado" na Juventude Hitlerista em pleno nazismo.

Diante destas acusações, o porta-voz vaticano, Federico Lombardi, desmentiu hoje que Bento XVI tenha pertencido à Juventude Hitlerista.

Amanhã, Bento XVI viajará para a cidade de Belém, na Cisjordânia, onde celebrará uma missa na Praça da Manjedoura. Além disso, visitará a Gruta da Natividade (onde Jesus teria nascido) e um campo de refugiados palestinos. EFE JL/bba

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