Em Jerusalém, adesão à greve em protesto contra eleições municipais é mínima

Jerusalém - A maioria dos palestinos de Jerusalém Oriental abriu hoje seus estabelecimentos comerciais apesar da convocação de greve em protesto contra as eleições municipais na cidade.

EFE |

No entanto, os 250 mil palestinos de Jerusalém se abstiveram quase totalmente de comparecer às urnas por considerar que o exercício de seu direito ao voto representaria um reconhecimento implícito israelense sobre toda a cidade.

Os palestinos são cerca de 30% dos habitantes de Jerusalém e reivindicam a parte oriental da cidade, ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, como capital de seu futuro Estado.

Na Cidade Antiga de Jerusalém, na parte oriental, a vida transcorria hoje como de costume e eram raras as lojas com as portas fechadas.

"Se eu fechar as portas, quem vai dar de comer a meus filhos? Nem os israelenses, nem os palestinos", argumentava Nidal em frente a sua cafeteria, que estava repleta de turistas.

Como ele, muitos outros comerciantes recorriam à necessidade de dinheiro para justificar sua não adesão à greve.

Alguns não sabiam da paralisação ou achavam que era motivada por causa do quarto aniversário de morte de Yasser Arafat, lembrado hoje nos territórios palestinos.

Uma fonte da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) admitiu que as autoridades competentes desconheciam a convocação da greve até o dia anterior, o que pode explicar sua pouca repercussão.

Segundo a versão eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth", a Polícia municipal prendeu hoje de manhã dois palestinos na região oriental de Jerusalém suspeitos de terem intimidado vendedores para se unirem à paralisação.

Apesar de não ter participado da greve, a população palestina manteve seu tradicional boicote às eleições municipais israelenses, inclusive depois de o candidato a prefeito de Jerusalém, Arkadi Gaydamak, ter buscado o voto árabe prometendo melhores serviços públicos e o fim das demolições de casas na parte oriental da cidade.

Hoje de manhã, podiam ser vistos cartazes eleitorais em árabe de Gaydamak próximo aos centros de votação, dos quais a imensa maioria passava longe.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu que os árabes de Jerusalém não votassem e denunciou que as eleições na cidade são "inaceitáveis e ilegais".

Calcula-se que apenas 5 mil árabes compareçam às urnas.

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