Em Israel, vice dos EUA critica novo plano para assentamentos

Por Adam Entous e Dan Williams JERUSALÉM (Reuters) - O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, condenou na terça-feira o plano israelense para construir mais 1.600 casas em território ocupado, anunciado no meio de uma visita em que ele tenta promover a retomada do processo de paz entre palestinos e israelenses.

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A recusa de Israel em parar a ampliação dos assentamentos, apesar da pressão dos EUA, é um grande obstáculo ao reinício do diálogo, e o anúncio colocou Biden em uma situação desconfortável antes do seu encontro com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, na quarta-feira na Cisjordânia.

"Condeno a decisão do governo de Israel de avançar no planejamento de novas unidades habitacionais", disse Biden em nota divulgada depois de ele chegar 90 minutos atrasado para um jantar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Ele disse que o projeto para o assentamento religioso de Ramat Shlomo, que fica em uma área da Cisjordânia anexada por Israel a Jerusalém, "solapa a confiança de que precisamos neste momento e vai contra as discussões construtivas que tive aqui em Israel".

Na semana passada, os palestinos abandonaram sua exigência de que Israel paralisasse totalmente a ampliação dos assentamentos, e aceitaram manter quatro meses de negociações indiretas sob mediação dos EUA.

"Israel não está interessado em negociações, nem em paz", disse à Reuters Nabil Abu Rdainah, assessor de Abbas, acrescentando que as novas casas "irão levar as negociações a serem obstruídas".

O enviado especial de Obama à região, George Mitchell, deve voltar na semana que vem ao Oriente Médio para tentar definir a estrutura e a abrangência das "conversas por proximidade", em que representantes israelenses e palestinos devem se sentar separadamente com um mediador dos EUA.

Em reuniões reservadas com autoridades dos EUA, Israel avisou que não quer que tal formato sirva para discutir as questões definitivas, como a demarcação de fronteiras e o futuro de Jerusalém.

Numa entrevista coletiva anterior, ao lado de Biden, Netanyahu disse que o momento "tem sido difícil e exigido uma grande dose de paciência", mas se disse "satisfeito" com os avanços. Ele também reiterou a exigência israelense de que os palestinos reconheçam Israel como um Estado judeu.

No mesmo evento, Biden saudou um "momento de oportunidade real" e disse que ambas as partes terão de assumir "compromissos historicamente ousados" pela paz.

O governo Obama inicialmente elogiou a decisão tomada em novembro por Netanyahu de paralisar parcialmente por dez meses a ampliação dos assentamentos na Cisjordânia, mas criticou a continuação das obras em áreas anexadas por Israel ao município de Jerusalém sem reconhecimento internacional.

(Reportagem adicional de Alastair Macdonald e Ari Rabinovitch em Jerusalém, Mohammed Assadi em Ramallah e Matt Spetalnick em Washington)

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