Em Israel, vice de Obama reforça oposição dos EUA a Irã nuclear

Antonio Pita. Jerusalém, 9 mar (EFE).- O vice-presidente americano, Joe Biden, disse hoje em Jerusalém ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que os Estados Unidos estão determinados a evitar que o Irã desenvolva uma arma nuclear.

EFE |

"Estamos decididos a impedir que o Irã adquira armamento nuclear e estamos trabalhando com muitos países do mundo para convencer Teerã a cumprir as obrigações internacionais", afirmou Biden em entrevista coletiva ao lado de Netanyahu, após se reunirem.

Biden, o mais alto funcionário do Governo Barack Obama a visitar Israel, também deixou claro ao anfitrião que não existem diferenças entre os dois países em relação à segurança de Israel.

Segundo a imprensa local, o projeto nuclear iraniano, que Israel encara como uma ameaça a sua existência, centrou o conteúdo das reuniões a portas fechadas do vice de Obama. Biden iniciou ontem uma viagem de cinco dias pelo Oriente Médio, que o levará também ao território palestino ocupado na Cisjordânia e na Jordânia.

Biden pretende convencer Israel a não se lançar em uma aventura militar para frear os planos nucleares do Irã e dar tempo para que a opção diplomática e as sanções progridam.

Israel já bombardeou um reator nuclear em Osirak (Iraque), em 1981, e outro - segundo os EUA, embora Damasco negue - na Síria em 2007.

Biden, que amanhã visitará o território palestino, também falou das negociações indiretas de paz que israelenses e palestinos acordaram iniciar com mediação dos EUA, como anunciou ontem oficialmente o enviado da Casa Branca ao Oriente Médio, George Mitchell.

O vice-presidente americano advertiu hoje as partes envolvidas que terão que adotar compromissos "audazes" para pôr fim ao conflito armado mais longo do planeta, e assegurou que os EUA sempre estarão ao lado dos que assumam riscos em prol da paz.

"Vocês estão preparados para fazê-lo e espero que os palestinos (...) também estejam", acrescentou.

A realidade contradisse suas palavras horas depois, quando o Ministério do Interior israelense anunciou a aprovação de um projeto de construção de 1.600 novas casas para expandir a colônia de Ramat Shlomo, em território palestino ocupado de Jerusalém Oriental.

A iniciativa ampliará a leste e sul a colônia, povoada por ultra-ortodoxos judeus e situada perto da Linha Verde, a fronteira virtual entre território israelense e palestino internacionalmente reconhecida.

Pouco depois, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) advertiu que o projeto "condena ao fracasso" o diálogo de paz com Israel antes mesmo de seu início.

"Trata-se de uma decisão perigosa que obstaculizará as negociações e condena ao fracasso os esforços dos EUA antes mesmo que tenham começado", assinalou o porta-voz da Presidência da ANP, Nabil Abu Rudeina, em comunicado.

Biden já foi recebido ontem, horas antes de sua chegada, com outra ampliação de um assentamento judaico, nesse caso de 112 casas mais em Beitar Ilit, na Cisjordânia.

As decisões podem atrasar o início de um diálogo cuja estrutura e alcance já começaram a ser determinados com as partes pela mediação americana.

As novas conversas poriam fim a mais de um ano de paralisação diplomática. As conversas foram interrompidas durante a ofensiva israelense em Gaza, que deixou mais de 1.400 mortos e enterrou o chamado Processo de Annapolis.

Os acordos alcançados naquelas negociações, ocorridas entre 2007 e 2008, não serão considerados nas novas conversas, que durarão quatro meses, como Mitchell informou ontem a Netanyahu e Abbas.

Esse início do zero era reivindicado por Israel, mas rejeitado por palestinos.

Na manhã de um dia dedicado exclusivamente a encontros com líderes israelenses, Biden se reuniu também com o presidente Shimon Peres. O vice de Obama destacou o que chamou de "autêntica oportunidade" que representa o retorno à mesa de negociações, apesar de pela primeira vez em duas décadas não ser frente a frente.

Peres, por sua vez, defendeu uma maior generosidade em "fornecer aos palestinos os meios necessários" para que construam um Estado.

O vice-presidente dos EUA se reuniu depois com a chefe da oposição israelense, Tzipi Livni, e visitou o Museu do Holocausto.

Também deve visitar os túmulos do ex-primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e do fundador do sionismo, Teodoro Herzl, e jantar ainda esta noite com Netanyahu.

Amanhã, Biden terá um café-da-manhã de trabalho com Tony Blair, enviado especial do grupo negociador para o Oriente Médio (EUA, União Européia UE, ONU e Rússia) e ex-primeiro-ministro britânico.

Depois, irá a Ramala, na Cisjordânia, para se reunir com Mahmoud Abbas e Salam Fayyad, presidente e chefe de Governo da ANP, respectivamente.

No mesmo dia, visitará a cidade de Belém, também na Cisjordânia, onde conversará com líderes de organizações sociais e empresariais locais.

Na quinta-feira fará um discurso na Universidade de Tel Aviv, antes de partir para a Jordânia, onde se encontrará com o rei Abdullah. EFE ap/rr

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