No primeiro dia de sua visita a Israel, o Papa Bento XVI pediu ao mundo para jamais negar, desacreditar ou esquecer o sofrimento das vítimas do Holocausto, ao mesmo tempo em que condenou veementemente o antissemitismo.

Na segunda etapa de sua visita à Terra Santa, a mais delicada e complexa de seu pontificado até agora, Bento XVI também mencionou a polêmica surgida depois do perdão concedido pelo Vaticano a um bispo negacionista.

"Que os nomes destas vítimas não morram jamais! Que seu sofrimento nunca seja negado, desacreditado ou esquecido! E que todas as pessoas de boa vontade permaneçam atentas a extirpar do coração do homem todos os sentimentos que podem levar a tais tragédias!", declarou o Papa, discursando em frente ao Memorial de Jerusalém dedicado aos milhões de judeus que perderam a vida no genocídio nazista.

O Papa pronunciou um crucial "nunca mais" em Israel, com o desejo de fazer cicatrizar feridas com o povo judeu após a ira provocada pela reintegração do bispo Richard Williamson, que nega a existência das câmaras de gás nazistas.

De nacionalidade alemã, o atual líder da Igreja católica chegou a pertencer a um grupo da juventude hitlerista quando a filiação se tornou obrigatória, em 1941.

Seguindo a decisão de seu predecessor, João Paulo II, ao visitar a Terra Santa, Bento XVI preferiu não visitar o museu do Yad Vashem, oficialmente porque a agenda já estava muito cheia.

A imprensa local, no entanto, afirma que o "desvio" tem como motivo uma placa contra o Papa Pio XII, acusado de ter mantido silêncio durante o Holocausto dos judeus e atual candidato à beatificação no Vaticano.

Bento XVI pronunciou seu discurso na cripta das Recordações, parte do complexo monumental.

O Pontífice pronunciou 13 vezes a palavra paz no discurso.

"Espero e rezo para que se possa, em breve, criar um clima de maior confiança, que permita às partes conquistar progressos reais no caminho para a paz e a estabilidade", disse.

"A esperança de muitos homens, mulheres e crianças por um futuro mais seguro e mais estável depende do êxito das negociações de paz entre israelenses e palestinos".

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