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Em Israel, pacifistas expressam alívio com vitória de Obama

Ativistas pacifistas em Israel dizem que sentiram um alívio com a vitória do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, e afirmam que após a derrota do candidato republicano John McCain, que seria uma continuação de George W. Bush, agora pelo menos há uma esperança de mudança na política americana em relação ao Oriente Médio.

BBC Brasil |

Representantes de vários grupos pacifistas ouvidos pela BBC Brasil, disseram que ficaram satisfeitos principalmente por McCain ter perdido as eleições. Mas quanto às chances de que Obama possa trazer uma mudança significativa para a região, muitos deles expressaram cautela.

"Creio que todos os pacifistas em Israel comemoram hoje a vitória de Obama", disse o porta-voz do grupo Gush Shalom (Bloco da Paz), Adam Keler, à BBC Brasil.

"Mas as comemorações de hoje não significam que não teremos razão para protestar daqui a alguns meses, e também me preparo para a possibilidade de que Obama venha a ser uma grande decepção para nós", acrescentou.

De acordo com Keler, para saber se o novo presidente americano tem realmente intenções de promover a paz entre israelenses e palestinos é importante verificar quem ele nomeará para os cargos relevantes, como o secretário de Estado e o assessor de Segurança Nacional.

'Promessas'

A porta-voz da Coalizão das Mulheres pela Paz, Adi Dagan, também expressou otimismo e cautela.

"Sinto principalmente um grande alívio por McCain não ter sido eleito, pois ele seria uma continuação do governo de Bush, que não promoveu o fim da ocupação israelense e, com a guerra no Iraque, só aprofundou a hostilidade do mundo árabe contra os Estados Unidos e seu aliado, Israel", disse Dagan.

"Sobre Obama, ainda é difícil saber, a agenda dele em relação ao conflito israelense-palestino não está clara, durante a campanha ele disse coisas contraditórias".

"Mas, pelo menos, com ele há uma nova esperança, e esperança é uma coisa que está em falta no campo pacifista de Israel, pois nos últimos anos a situação na nossa região piorou muito".

Adi Dagan afirmou que os pacifistas em Israel estão "fartos" de promessas e querem ver "atos".

"Presidentes americanos vêm e vão, mas a situação dos palestinos só piora e o conflito na nossa região só se agrava", disse. "Como cidadão israelense, espero que o novo presidente americano exerça pressões concretas sobre Israel, para que pare a construção de assentamentos, suspenda a construção do muro e retire todas as barreiras na Cisjordânia".

A jovem Omer Goldman, que já foi condenada duas vezes à prisão por ter se recusado a prestar o serviço militar, disse que a vitória de Obama "é uma coisa maravilhosa".

Segundo Goldman, a eleição de Obama "representa um avanço enorme e traz esperanças de que esse avanço também se estenda para a nossa região".

"Sei que a maioria dos israelenses não está contente com o resultado da eleição americana, mas eu estou muito contente e espero que Obama faça esforços para trazer a justiça e a igualdade que ele prometeu, não só para os Estados Unidos, mas também para o Oriente Médio".

Goldman se recusou a servir no Exército israelense porque se opõe à ocupação dos territórios palestinos e contou que, nos próximos dias, pretende anunciar sua recusa pela terceira vez e deverá ser condenada a mais um período de 21 dias de prisão.

Para o escritor pacifista Uri Avnery, "em um mundo em que uma pessoa como Barack Hussein Obama pode aparecer de repente e chegar ao mais alto nível da política mundial, nada é previsível e, portanto, tudo é possível".

"Espero que Obama se revele como um amigo do outro Israel, o Israel que deseja a paz", disse Avnery.

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