Em Israel, Lula defende mundo sem armas nucleares

Jerusalém, 15 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu hoje com os principais líderes israelenses em sua primeira visita ao Estado judeu e demonstrou sua aposta pela paz e por um mundo sem armas nucleares.

EFE |

Em uma sessão especial do Parlamento de Israel (Knesset), Lula disse que "O Oriente Médio vive, há décadas, dolorosos enfrentamentos que têm custado milhares de vítimas".

"Para resolver situações dilacerantes é necessário construir alternativas racionais e duradouras de paz. Mas não é suficiente pôr apenas a cabeça a funcionar. É preciso, igualmente, que o coração esteja presente", afirmou Lula.

O presidente reiterou o apoio do Brasil à existência de um "Estado de Israel, soberano, seguro e pacífico" e afirmou que há "urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia".

Lula citou o Brasil como exemplo de convivência ao comentar que dez milhões de árabes vivem no país em harmonia com milhares de judeus, um modelo que, segundo ele, pode ser utilizado para conseguir um mais profundo entendimento no Oriente Médio.

Segundo o presidente, é essencial construir no caminho rumo à paz um mundo sem armas nucleares.

"Temos orgulho de proclamar que a América Latina e o Caribe é uma zona livre de armas de destruição massiva. (...) Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo", afirmou Lula.

Em discurso que antecedeu o de Lula, Netanyahu também fez referência à questão nuclear e pediu ao presidente brasileiro seu apoio à frente internacional que se opõe ao programa nuclear iraniano.

Os laços de Lula com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e a visita que tem prevista ao Irã são motivo de desconfiança em Israel.

Irã e Brasil têm valores opostos, afirmou Netanyahu, para quem o primeiro país "representa a tirania e a crueldade", enquanto o segundo "representa a abertura e a tolerância".

"Eles honram a morte, e vocês celebram a vida", diz o primeiro-ministro, citado pela versão digital do diário "Ha'aretz".

A paz e a questão iraniana foram os principais assuntos dos discursos pronunciados hoje de manhã por Lula e seu colega israelense, Shimon Peres, no primeiro ato oficial do presidente brasileiro no Oriente Médio.

Lula pediu a Peres um "esforço" para alcançar a paz e o incentivou a "buscá-la a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo".

O presidente também manifestou sua esperança de que a paz seja alcançada antes do final do mandato de Peres, que termina em 2012.

"Eu acho que não existe uma única palavra e um único motivo que justifique a guerra. Mas existem milhões de palavras e milhões de gestos que justificam a paz. E acho que nós precisamos buscá-la", disse Lula em uma breve entrevista coletiva no jardim da Residência Presidencial, onde ressaltou que a política é a "arte de vencer as coisas que parecem impossíveis".

Peres, por sua parte, destacou que Lula deu "um novo legado à democracia" no Brasil e disse que "não resta muito tempo" para chegar à paz com os vizinhos árabes e palestinos.

O presidente israelense será nesta noite anfitrião de um jantar em homenagem a Lula em sua residência oficial, dando fim a um dia em que o governante brasileiro também participou de um seminário empresarial e teve encontros particulares com Netanyahu e com a líder da oposição e ex-ministra de Assuntos Exteriores, Tzipi Livni.

Esta é a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro à região desde 1876. Em 1876, o imperador Dom Pedro II esteve na Terra Santa.

Amanhã, o presidente brasileiro visitará o Museu do Holocausto (Yad Vashem), parada obrigada para todos os líderes estrangeiros que visitam Israel.

Mais tarde, Lula segue para a cidade de Belém, na Cisjordânia, onde assistirá ao encerramento de um encontro empresarial e jantará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Lula passará a noite em Belém, algo muito incomum entre os líderes internacionais, que normalmente dormem em Jerusalém.

No dia seguinte, o presidente segue para Ramala, sede da ANP, onde assinará com Abbas uma série de acordos para fortalecer as relações bilaterais e visitará uma escola financiada com fundos brasileiros.

Além disso, depositará flores no túmulo do histórico dirigente palestino Yasser Arafat, um ato que causou mal-estar em Israel, segundo a imprensa local, pelo fato de Lula não ter ido visitar também o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl. EFE aca/bba

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