Em Haia, Goran Hadzic rejeita declarar-se culpado ou inocente

Preso na quarta-feira, ex-general sérvio da Croácia foi extraditado para a Holanda na sexta-feira

iG São Paulo |

O ex-general sérvio Goran Hadzic rejeitou nesta segunda-feira se declarar culpado ou inocente das 14 acusações que lhes foram atribuídas pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), que incluem crimes de guerra e contra a humanidade.

"O senhor Hadzic não se declarará culpado ou inocente hoje", disse o advogado do ex-general, o sérvio Vladimir Petrovic, no primeiro comparecimento na corte com sede em Haia.

Hadzic, o último dos 161 acusados pelo TPII que seguia em liberdade, foi extraditado da Sérvia para a Holanda em 22 de julho, e desde então permaneceu nas dependências do tribunal.

© AP
Goran Hadzic (D) antes de ouvir acusações na Corte de Haia, na Holanda
Na primeira audiência, o presidente interino do TPII, o juiz sul-coreano O-Gon Kwon, lembrou que, segundo as normas do Tribunal, o acusado podia se declarar culpado ou inocente ou solicitar um prazo de 30 dias para seu pronunciamento. A defesa de Hadzic recorreu a esse direito, e o magistrado indicou que será realizado "outro comparecimento inicial" dentro de 30 dias.

O antigo líder sérvio da Croácia foi preso na semana passada nas proximidades do povoado de Krusedol, a cerca de 80 quilômetros de Belgrado, capital da Sérvia. De acordo com o procurador de crimes de guerra sérvio, Vladimir Vukcevic, Hadzic foi preso em uma floresta perto da vila de Krusedol depois que os investigadores seguiram a pista de um quadro roubado atribuído ao artista italiano Amedeo Modigliani (1884-1920). "O grande avanço na investigação foi a informação de que ele queria vender um quadro de Modigliani por estar ficando sem dinheiro; ele estava sem nenhum tostão", disse Vukcevik. "Ele provavelmente conseguiu o quadro durante o conflito na Croácia."

Extradição

Hadzic foi extraditado para Haia na sexta-feira . Último dos fugitivos procurados pelo tribunal da ONU para crimes de guerra na ex-Iugoslávia, Hadzic teve sua prisão anunciada na quarta-feira.

Sua prisão ocorre menos de dois meses após a Sérvia prender o antigo comandante militar servo-bósnio Ratko Mladic . Das 161 pessoas acusadas pelo TPII desde sua criação em 1993, Hadzic era o único que seguia em liberdade após a captura de Mladic.

Hadzic havia desaparecido há sete anos, após seu indiciamento pelo tribunal da ONU ter sido comunicado ao governo sérvio. Hadzic foi indiciado por 14 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo perseguição, extermínio, deportação e destruição por seu envolvimento em atrocidades cometidas pelas tropas sérvias na Croácia. Entre as principais acusações contra ele está a deportação de 20 mil pessoas após a ocupação da cidade de Vukovar.

Nascido em 1958, ele era dono de armazém antes da desintegração da antiga Iugoslávia e, desde sua juventude, tinha uma forte atuação política como membro da Liga dos Comunistas. No início da década de 1990, quando começou a desintegração da federação iugoslava, militou nas fileiras dos partidos nacionalistas sérvios que se formaram na época e logo ganhou destaque como um dos líderes sérvios na Croácia.

Durante 1992 e 1993, Hadzic foi presidente da autoproclamada República Sérvia de Krajina, que ocupou cerca de um terço do território da Croácia durante a guerra no país, e sob sua liderança foram cometidos crimes contra a humanidade.

Depois da guerra, o ex-líder viveu na Sérvia até ser divulgado que era procurado pela Justiça internacional. Segundo a Procuradoria do TPII, Hadzic passou à clandestinidade em 2004, "apenas horas depois que as autoridades de Belgrado receberam uma solicitação para sua detenção".

Nos últimos tempos, as autoridades sérvias intensificaram as buscas, o que levou sua família a expressar sua frustração e ansiedade. Uma irmã de Hadzic declarou recentemente ter perdido seu emprego por ser parente do suposto criminoso de guerra, enquanto um de seus filhos revelou não conseguir dormir diante do temor de que as unidades especiais da polícia invadissem sua casa.

*Com EFE

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