Em greve de fome, cubano pede a outros opositores para que terminem jejum

Havana, 2 mar (EFE).- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há seis dias, afirmou hoje que está perto de um estado crítico, mas que mesmo assim manterá seu protesto para pedir a liberdade dos presos políticos.

EFE |

Além disso, Fariñas pediu a vários opositores presos para que deixem o jejum.

"Estou me sentindo com inércia, dores de cabeça, nos rins e no abdômen", afirmou à Agência Efe o psicólogo e jornalista Fariñas, que está em sua casa em Santa Clara, cidade localizada a 270 quilômetros a leste de Havana.

Segundo dissidentes e familiares, um médico amigo de Fariñas o atende constantemente. Além disso, ele recebeu visitas de especialistas enviados pelo sistema de saúde pública da ilha.

Francisco Chaviano, porta-voz da entidade opositora "Agenda para a Transição", disse que Fariñas está desidratado, e recebeu a recomendação de que deve ser hospitalizado.

"Ele está muito fraco e teve uma perda de líquido notável. Mas a decisão é dele, e por enquanto não aceita ingerir nada, nem soro", relatou Chaviano à Efe.

Fariñas, de 48 anos, repetiu que só será hospitalizado "quando perder a consciência", e pediu para outros dissidentes que estão em greve de fome para que voltem a se alimentar, após a morte do preso político Orlando Zapata, que ficou 85 dias em jejum.

A Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), formada por opositores, explicou que já deixaram o jejum Diosdado González e Eduardo Díaz Fleitas, que cumprem respectivamente 20 e 21 anos de pena no presídio "Kilo 5", na província de Pinar del Río.

A CCDHRN ainda não confirmou a situação de Nelson Molinet, preso no mesmo local. Já Fidel Suárez, que está no presídio "Kilo 8" para cumprir pena de 20 anos, segue em greve de fome.

Segundo o porta-voz da Comissão, Elizardo Sánchez, a previsão é de que em breve os protestos terminem nas prisões, e que somente Fariñas deverá continuar, para pedir a liberdade de aproximadamente 200 presos políticos cubanos.

A mãe de Fariñas, Alicia Hernández, que é enfermeira, disse à Efe que pede a seu filho "todos os dias" para voltar a se alimentar, mas que "ele é dessa forma" e não quer ir ao hospital.

O dissidente ficou preso por mais de onze anos nas últimas décadas, e fez 23 greves de fome desde 1995 - uma de seis meses em 2006, para exigir acesso sem restrições à internet na ilha. EFE.

arj/id

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