Em Gaza, nem os hospitais escapam das bombas israelenses

A explosão é assustadora. A farmácia do hospital Al-Quds de Gaza acaba de ser destruída por um obus. Feridos são retirados rapidamente. Nem aqui, as pessoas escapam das bombas.

AFP |

Nas primeiras horas desta quinta-feira, centenas de pessoas, entre elas muitas mulheres e crianças, se refugiaram no hospital Al-Quds, localizado no bairro residencial de Tal al-Hawa.

Uma coluna de tanques tomou posição em um parque no centro do bairro. Outros estão posicionados em dois outros bairros de Gaza, Al-Chujaiya e Zeitun, assolados por violentos combates entre militares israelenses e combatentes do Hamas.

Dentro do hospital, as mães tentam confortar seus filhos aterrorizados.

"Trouxe meus filhos ao hospital porque eles estavam com muito medo em casa, mas na verdade aqui é ainda pior", diz Hussein, 40 anos, que chegou ao centro médico pela manhã com mulher e filhos.

"A casa vizinha da nossa foi completamente destruída durante os combates, então tivemos que sair. Não vamos agüentar isso por muito tempo. Olhem para meus filhos, eles estão tremendo de medo", acrescenta.

Dezenas de civis não param de chegar ao hospital com suas bagagens. Os enfermeiros estão sobrecarregados.

Todo o setor já foi devastado por várias incursões israelenses.

Porém, a ofensiva de hoje é ainda mais devastadora. Apoiados pela aviação, os tanques israelenses estão entrando cada vez mais fundo na Cidade de Gaza, arrasando bairros inteiros em busca de combatentes do Hamas e obrigando os moradores a fugirem de suas casas.

A explosão dos obuses é ensurdecedora. Tiros de artilharia, mísseis disparados de helicóptero e bombardeios de F-16 se sucedem no céu de Gaza, assustando os moradores.

De repente, um obus atinge em cheio o hospital. A farmácia é totalmente destruída. Feridos são deslocados para outros quartos. As explosões, deflagradas por "obuses de fósforo" segundo funcionários do centro, provocam um incêndio no segundo andar do edifício.

O caos toma conta do hospital. Combatentes do Hamas correm numa rua adjacente atirando rajadas de AK-47.

"Há três corpos a 500 m daqui mas não posso trazê-los. Há vários feridos a um quilômetro daqui, mas não posso sair sem autorização", lamenta o médico Bachar Mourad. De fato, as ambulâncias têm que aguardar o sinal verde do Exército israelense antes de tentar qualquer saída.

"Os israelenses bombardeiam e atacam em todas as partes em volta do hospital. Não podemos sair por causa do fogo, estamos presos. A água foi cortada", explica o médico francês Régis Garrigue, contactado por telefone pela AFP.

De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), uma centena de pacientes e médicos correm risco de vida no hospital em chamas, uma situação considerada "inaceitável" pelo presidente do CICV, Jakob Kellenberg.

bur/yw

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