Gaza, 11 nov (EFE).- Forças do movimento islâmico Hamas impediram hoje, à força, várias concentrações do grupo rival Fatah para lembrar, em Gaza, o quarto aniversário da morte do líder palestino Yasser Arafat.

Testemunhas disseram que milicianos do Hamas, alguns vestidos de civis e outros de uniforme, se desdobraram por Gaza para impedir as concentrações de milicianos do Fatah, o movimento nacionalista que Arafat presidiu por 40 anos.

A agência oficial palestina "Wafa" informou que as forças do grupo islâmico realizaram buscas em dezenas de escolas e atacaram alunos que tentavam organizar alguma homenagem a Arafat.

Abed, de 16 anos e que pediu para seu sobrenome não ser revelado, contou que membros do Hamas o atingiram com um pedaço de pau, e lhe roubaram a "kafiah" (lenço tradicional) preto e branco que identificava Arafat.

"Pararam todos os alunos que levavam a kafiah, bateram, e chamaram de infiéis tanto a nós quanto Abu Amar (nome de guerra de Arafat)", relatou.

Segundo a "Wafa", pelo menos 20 estudantes de uma escola secundária em Abbassan (no sul de Gaza) ficaram feridos por causa dos golpes dados pelos agentes.

Várias facções da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), da qual o Fatah é a espinha dorsal, pediram ontem aos moradores de Gaza que prestassem homenagem a Arafat levando hoje a kafiah, pendurando bandeiras do movimento nas janelas e acendendo velas nos telhados.

O pedido aconteceu depois que o Hamas proibiu as cerimônias públicas de homenagem.

No ano passado, 12 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas quando o Hamas reprimiu a tiros uma concentração em Gaza para lembrar o terceiro aniversário de morte de Arafat.

A tensão em Gaza contrastou com o ambiente em Ramala, na Cisjordânia, onde o sucessor de Arafat à frente do Fatah e presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, presidiu os atos de homenagem, acompanhado de milhares de pessoas que foram com kafiah e bandeiras palestinas ao túmulo do líder palestino.

Em seu discurso, Abbas culpou o Hamas pelo fracasso da última reunião entre o movimento islâmico e o Fatah, realizada no Cairo para restaurar a "união nacional palestina".

No entanto, Abbas afirmou que, "em breve, acabará o golpe de Estado através o diálogo", em alusão à tomada do poder do Hamas em Gaza em junho de 2007 após expulsar as forças leais à ANP.

"Arafat está aqui presente, conosco, e como sempre, não se rende ao impossível", disse o atual presidente palestino.

Arafat morreu em 11 de novembro de 2004 em um hospital militar de Paris, após uma agonia de semanas em Ramala, cidade onde viveu os últimos três anos de sua vida confinado por Israel.

A causa da morte, atribuída a uma doença rara, gerou várias versões que não foram confirmadas, inclusive a de um envenenamento por parte dos serviços secretos israelenses.

Seu túmulo está localizado no complexo da Muqata, sede da Presidência palestina, em um mausoléu com um minarete que aponta com um feixe de luz em direção a Jerusalém, em cuja parte oriental os palestinos exigem estabelecer a capital de seu futuro Estado.

O túmulo está sobre um lago artificial, símbolo de um lugar de repouso temporário, já que os palestinos querem transportar o corpo de Arafat para Jerusalém. EFE ga/wr/plc

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