Em fim de mandato, Putin quer manter Ucrânia e Geórgia fora da Otan

Miguel Bas Moscou, 1 abr (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, comparecerá à cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que será realizada de amanhã até sexta-feira, em Bucareste, com a esperança de impedir que os Estados-membros do órgão dêem sinal verde à adesão de Ucrânia e Geórgia, em um dos momentos de maior divergência entre o Kremlin e a aliança político-militar.

EFE |

Não será apenas uma visita de despedida de Putin para assegurar ao Ocidente que a política da Rússia com relação à Otan não mudará com seu sucessor, Dmitri Medvedev, cuja posse ocorrerá em 7 de maio.

Muitos na Rússia prevêem que em Bucareste o presidente russo, perto do fim de seu mandato, evidenciará descontentamento.

Há quem sustente, inclusive, que seu discurso na capital romena superará em dureza as palavras ditas em Munique em 10 de fevereiro do ano passado. Na ocasião, teve início o que muitos chamam de "Paz Fria" entre a Rússia e o Ocidente.

Desde então, as divergências em matérias como armamento, suscitadas pela decisão americana de instalar na Europa elementos de seu sistema antimísseis e pela resposta russa de abandonar o Tratado sobre Forças Armadas Convencionais da Europa (Face), ganharam motivos extras, como a disputa pela independência do Kosovo.

Moscou não aceita os argumentos americanos de que o escudo antimísseis estaria destinado a neutralizar um possível ataque do Irã e da Coréia do Norte, e o vê como uma ameaça direta a sua própria segurança.

O novo embaixador russo na Otan, Dmitri Rogozin, político ultranacionalista cuja nomeação marca uma mudança de atitude do Kremlin rumo ao órgão multilateral, denunciou que a pedido dos EUA a Otan congelou de fato seu programa de cooperação com Moscou.

O Kosovo, advertiu, se transformou em um "conflito de enfoques" do que deve ser o sistema de segurança internacional e criou uma situação na qual a Rússia, para que seja respeitada, tenha de usar "força bruta".

No entanto, a verdadeira batalha a ser travada por Putin em Bucareste deve envolver a aprovação de um plano de adesão à Ucrânia e à Geórgia. Para ambos os países, a Rússia tem uma resposta caso a Otan dê sinal verde à incorporação.

As regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia aproveitaram o precedente do Kosovo para pedir a Moscou seu reconhecimento.

Os meios de comunicação russos, até o momento, são unânimes em advertir que um "sim" à entrada da Geórgia na Otan dará também sinal verde à entrada de tropas russas em ambos os territórios, onde a maioria da população já tem cidadania russa.

Na Ucrânia, as forças pró-russas, reunidas sob o guarda-chuva do Partido das Regiões, que, junto com seus aliados, conta com quase a metade das cadeiras do Parlamento local, já demonstraram sua capacidade de mobilização contra a Otan e planejam convocar um plebiscito contra a adesão.

Em qualquer caso, Putin poderá deixar o Kremlin com um discurso de despedida cuja dureza deverá ser relembrada com orgulho por grande parte dos russos. EFE mb/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG