Em Fallujah, Obama e McCain são dois lados da mesma moeda

Em Fallujah, arrasada por dois ataques do exército americano contra a rebelião em 2004, os habitantes têm ainda muito ódio dos americanos e, para eles, os candidatos à Casa Branca, o republicano John McCain e o democrata Barak Obama, são os dois lados de uma mesma moeda.

AFP |

Quase cinco anos depois da invasão, esta cidade sunita localizada a cerca de 50km a oeste de Bagdá retomou suas atividades, com os gritos tradicionais dos vendedores e das mulheres com véus negros que pechincham mercadorias.

Mas o sentimento da população permanece intacto: todos detestam as forças armadas e ninguém mostra interesse pelo resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

"As forças americanas devem deixar rapidamente o Iraque, caso contrário serão expulsas", afirma Sami al Awad, um médico que tem um próspero consultório no centro da cidade.

Para os 800.000 habitantes de Fallujah, os anos obscuros posteriores à queda do regime de Saddam Hussein estão gravados na memória e a desconfiança é absoluta com relação aos candidatos à Casa Branca.

"O que pode mudar se for Obama ou McCain? As forças americanas mataram minha mãe no meio da noite e tivemos de fugir de seu ataque em 2004", diz Diyaudin Abdalá, vendedor de material eletrônico.

"A política americana já está decidida. Obama não poderá mudar nada", acrescenta.

A loja dele, que fica na rua Abbas, principal artéria da cidade, conserva as seqüelas dos combates entre os rebeldes sunitas e as forças americanas de 2004. O estabelecimento foi atingido por inúmeras balas e o teto foi completamente destruído. Quase todos os imóveis da zona têm o mesmo aspecto.

As paredes estão cheias de buracos e os tetos foram arrancados. Alguns edifícios foram arrasados completamente e ainda há escombros no chão.

Apesar de a prefeitura tentar dar um aspecto apresentável à cidade, as ruas estão esburacadas. A rua Abbas está asfaltada pela metade. Na entrada da cidade, foi inaugurado um novo hospital, perto de um novo jardim público. Mas isso não satisfaz os moradores locais.

"Precisamos de eletricidade, água, hospitais e trabalho para nossos jovens. Sinceramente não acredito que o governo iraquiano, siga ele a ordem do Irã, de Obama ou de McCain, possa nos dar tudo isso", afirma Abu Mustafá, de 59 anos, enquanto aguarda na fila para agendar o conserto de sua linha telefônica.

A alguns passos dali, em frente ao que resta de um edifício, jovens desempregados e jornaleiros esperam um suposto empresário que lhes prometeu emprego.

O sentimento antiamericano está vivo também entre as autoridades de Fallujah: "Quero que eles vão embora o quanto antes possível", afirma o prefeito, Saad Awad Rachid, um homem respeitado que tenta amenizar os problemas da vida diária dos vizinhos.

"Os habitantes odeiam os americanos, principalmente quando vêem deter alguém, inclusive as mulheres. Eu os quero fora daqui e pouco me importa quem ganhará as eleições. Isso não nos interessa", declara.

Os sunitas de Fallujah, que precisam de um documento de identidade magnético para entrar e sair da cidade, condenam o projeto de acordo de segurança, denominado SOFA, que está sendo negociado pelo primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, e pelos Estados Unidos, que prevê uma retirada definitiva das tropas americanas de 2011.

"Não precisamos que os americanos fiquem aqui mais três anos. Não precisamos do SOFA. As forças iraquianas estão preparadas para garantir a segurança", diz Diyaudin Abdalá.

O doutor Awad pensa o mesmo: "Não tenho confiança nem em Obama nem em Mccain. Embora Obama tenha prometido uma retirada, são só promessas. Os americanos só causam destruição e o melhor para nós é que eles saiam daqui".

jds/lm

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