Em entrevista coletiva, Obama defende orçamento trilionário

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu o orçamento de aproximadamente US$ 3,6 trilhões que apresentou ao Congresso do país durante sua segunda entrevista coletiva desde que chegou à Presidência, realizada na noite desta terça-feira. Durante a entrevista, realizada na Casa Branca e exibida em rede nacional, o líder americano enfatizou a necessidade de se ratificar um plano ambicioso, que contenha medidas que contemplem as áreas que ele julga essenciais - educação, seguro-saúde e energia.

BBC Brasil |

"O orçamento que eu submeti ao Congresso irá permitir nossa recuperação econômica com uma base mais sólida, para que não tenhamos que enfrentar uma crise como esta daqui a 10 ou 20 anos", afirmou.

De acordo com o líder dos Estados Unidos, a política de sua administração é a de "atacar esta crise em todas as frentes". Ele ainda afirmou que a aprovação do orçamento é uma parte "inseparável" do combate à turbulência financeira.

A entrevista fugiu ao tom descontraído e bem-humorado de outras ocasiões. Obama respondeu às perguntas de 13 repórteres, oito das quais giraram em torno da economia do país.

O líder americano pareceu acuado pelo tom mais agressivo de alguns dos repórteres e chegou a ser ríspido em uma ocasião.

Ao ser indagado por um jornalista da rede CNN
por que ele demorou três dias para que se manifestar contra o pagamento de bônus de US$ 170 milhões pela seguradora AIG a seus funcionários, Obama respondeu:
"Demorou alguns dias porque eu gosto de pensar sobre o que vou dizer, antes de falar".

Quando lembrado das críticas feita por republicanos de que seu orçamento seria "o mais irresponsável na história americana" por ampliar ainda mais o já vultoso déficit americano, o presidente lançou farpas contra os políticos da oposição e contra seu antecessor, George W. Bush.

"Desconfio que alguns republicanos têm memória curta. Porque, que eu me lembre, estou herdando um déficit anual de US$ 1,3 trilhões deles", afirmou.

O presidente acrescentou ainda que pretende reduzir pela metade o déficit americano nos próximos cinco anos.

Obama demonstrou também confiança de que os Estados Unidos irão se recuperar da atual recessão econômica.

Mas, acrescentou, "isso vai tomar tempo, vai exigir paciência e uma compreensão de que, quando trabalhamos juntos, quando cada um de nós olha para além de nossos interesses de curto prazo, olha para as obrigações que temos uns com os outros, é aí que nós temos êxito".

Não houve quaisquer perguntas sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Os únicos momentos em que a política externa americana veio à tona foram em duas perguntas relativas, respectivamente, ao projeto anunciado nesta terça-feira de US$ 700 milhões de combate ao tráfico de drogas na fronteira americana com o México e às perspectivas de um avanço nas negociações entre Israel e palestinos.

Uma repórter indagou se o tema racial já surgiu ao longo de encontros do primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos com outros líderes mundiais ou no contato com o povo do país, ao longo dos 64 dias em que Obama esteve à frente da Presidência.

"Eu creio que os últimos 64 dias foram dominados por eu tentando descobrir como vamos consertar a economia, que afeta por igual brancos, negros e marrons" disse.

"Acho que, na posse, houve um orgulho justificado por termos dado um passo para deixar para trás alguns dos legados da discriminação racial neste país, mas isto durou cerca de um dia."
Em seguida, Obama desviou o tema, novamente, para a economia, dizendo que "agora, o povo americano está me julgando exatamente como eu devo ser julgado, se estamos tomando os passos certos para aumentar liquidez nos mercados, para criar empregos, fazer com que negócios sejam retomados e manter o país seguro".

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