O anúncio de que o ex-jogador argentino Diego Maradona será o novo técnico da seleção argentina de futebol gerou polêmica na Argentina. Uma enquete realizada no site do jornal Clarin mostrou que 73,9% (36.

096 votantes) rejeitam a decisão da Associação de Futebol Argentino (AFA).

Outra enquete semelhante realizada pelo jornal La Nación mostrou resultado semelhante. O La Nación perguntou: "Como você classifica a escolha de Maradona como técnico da seleção?"
Para 72,64% dos entrevistados, a resposta foi "negativa". Já 11,31% disseram que a escolha era "questionável" e 9,59% concordaram com a indicação. Apenas 1,20% disseram não saber. No total, 4.642 leitores votaram no levantamento.

O anúncio da contratação foi feito pelo próprio Maradona na terça-feira. Desde então, a indicação tornou-se um dos principais assuntos no país.

"O medo dos que o apóiam é que Diego arrisque o mito que representa como Maradona ao sentar na cadeira elétrica que representa ser técnico da seleção", escreveu o jornalista Daniel Arcucci em um artigo de opinião.

"Ao mesmo tempo, os que não o apóiam argumentam que desconfiam do jeito volátil, da saúde instável, do temperamento conflituoso e da falta de experiência de alguém que deve assumir essa baita responsabilidade."
Já para o jornalista de esportes Enrique Macaya Marquez, um dos mais conhecidos do país, Maradona tem condições físicas e emocionais para ser técnico da seleção azul e branca. "Acho que Maradona suportaria sim (derrotas) e está em bom estado de saúde", disse ele no programa Todo Notícias.

Outro programa de televisão, na emissora C5N já se preocupa com outra polêmica. "Messi e Maradona vão se dar bem? Messi o respeitará", questionou o apresentador de um programa da rede.

"Acho que sim. E vale lembrar que Messi não é e não será Maradona", disse o jornalista esportivo Aldo Proietto.

As emissoras locais lembraram que Messi, estrela da seleção argentina, tinha sugerido que o ex-jogador não deveria "se meter" nos assuntos da equipe que conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim este ano. Maradona tinha acusado Messi de "individualista".

Nesta quarta-feira, Messi disse: "Sei que Maradona me admira e não tenho nenhum problema com ele. Muitas coisas são ditas no calor do momento."
A previsão é de que o anúncio oficial do nome de Maradona como técnico da seleção seja feito nesta quinta-feira pelo presidente da AFA, Julio Grondona. Quinta é o dia do aniversário de 48 anos do ex-craque que durante mais de 20 anos dentro e fora dos campos não pára de gerar polêmicas na Argentina e no exterior.

O ex-técnico da seleção argentina campeã em 1986, Carlos Bilardo, será braço-direito de Maradona na equipe, além de outros que jogaram naquela seleção. Bilardo já avisou que não se meterá na formação do time e respeitará as decisões de Maradona.

Maradona, que é pai de duas filhas, enfrentou vários problemas de saúde - sobrepeso e dependência de drogas - e afirma que está "muito bem" para realizar o sonho de ser o técnico da seleção.

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