Em eleições validadas por observadores, situação vence com folga na Geórgia

Misha Vignanski Tbilisi, 22 mai (EFE).- O Movimento Nacional Unido (MNU), do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, venceu de forma arrasadora as eleições parlamentares desta quarta-feira, impugnadas pela oposição e validadas hoje, embora com ressalvas, por uma grande missão de observadores internacionais.

EFE |

Segundo dados preliminares correspondentes a 40% dos votos apurados, o MNU obtinha 61% dos votos emitidos por listas de partidos, que elegem a metade dos 150 deputados que integram o Parlamento unicameral do país, ex-república soviética.

Junto com o partido governista, tiveram acesso à distribuição proporcional de 75 cadeiras as legendas Oposição Unificada (coalizão de nove legendas), Movimento Democrata Cristão e Partido Trabalhista, com 15%, 28%, 8,02% e 6,81% dos votos, respectivamente.

Os outros oito partidos que participaram das eleições, todos eles da oposição, não conseguiram atingir o mínimo de 5% para obter representação parlamentar.

Todas as legendas opositoras denunciaram fraude logo após o anúncio dos resultados das pesquisas de boca-de-urna que davam vitória ao MNU.

O líder do Partido Trabalhista, Shalva Natelashvili, assegurou hoje que todos os partidos de oposição darão início a consultas para "traçar uma estratégia comum".

A declaração de Natelashvili foi confirmada à Agência Efe pela porta-voz da Oposição Unificada, Magda Popiashvili, que destacou ainda que o segundo partido mais votado, segundo as autoridades eleitorais, "não reconhece os resultados das legislativas".

O líder do Movimento Democrata Cristão, Gueorgui Targamadze, fez um apelo às demais legendas da oposição para que todos lutem para que os resultados eleitorais oficiais sejam os mais próximos possíveis da "realidade da expressão da vontade popular nas urnas".

No entanto, a missão dos observadores da Organização para Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) declarou hoje que, embora nas eleições tenham ocorrido "irregularidades", estas não influenciaram no processo eleitoral, que "foi livre".

"Não vi nada que pudesse influir negativamente no resultado das eleições", disse em entrevista coletiva o português João Soares, vice-presidente da Assembléia Parlamentar da OSCE.

Um total de 550 observadores da OSCE e de órgãos parlamentares do Conselho da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de 45 países, supervisionou o pleito legislativo georgiano.

"Não foram as melhores eleições, mas em comparação com as últimas presidenciais - realizadas em 5 de janeiro deste ano - o progresso é evidente", acrescentou Soares.

Em alusão às acusações de fraude feitas pela oposição, Soares destacou que na Geórgia muita coisa ainda precisa ser feita para "fortalecer a confiança entre os partidos políticos".

O chefe da missão de observadores de longo prazo da OSCE, o esloveno Boris Frlec, afirmou, por sua vez, que o relatório definitivo com as conclusões do trabalho de observação será divulgado nas próximas semanas.

Segundo a maior parte dos analistas políticos locais, a legenda de Saakashvili também ganhará amplamente nas circunscrições majoritárias, onde são eleitos os outros 75 deputados do Parlamento.

Por isso, o chefe do Estado deverá ter na Câmara uma maioria constitucional de mais de dois terços.

"Embora o partido governante tenha maioria no Parlamento, não temos a intenção de fazer alterações na Constituição sem consultar a oposição", disse o presidente georgiano, após a divulgação dos primeiros resultados eleitorais.

Saakashvili prometeu ainda, em uma clara tentativa de tranqüilizar seus adversários, que fará o possível para que a oposição "tenha mecanismos para controlar a gestão do Governo". EFE mv-bsi/fr

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