Em discurso, Obama reafirma 'laços de afeição' com Irlanda

Presidente dos EUA visita vila de ancentrais e discursa para 30 mil no primeiro dia de uma visita de uma semana à Europa

iG São Paulo |

Em discurso perante 30 mil pessoas, o presidente dos EUA, Barack Obama, revelou nesta segunda-feira sua distante ascendência irlandesa, oferecendo agradecimentos espirituosos a dezenas de milhões de americanos cujos ancestrais têm conexão com a Irlanda. Com sua mulher, Michelle, a seu lado, o presidente disse: "Nos sentimos realmente em casa."

Em um discurso de mais orgulho pessoal do que de conteúdo político, Obama disse a milhares no centro de Dublin que foi ao país reafirmar os laços de afeição entre os EUA e a Irlanda.

Obama falou pouco depois de ter tirado uma cerveja Guiness no minúsculo vilarejo de Moneygall, onde seu tataravô por parte da mãe viveu e trabalhou como sapateiro. "Meu nome é Barack Obama, dos Moneygall Obamas", disse. Depois, brincando com a popular forma de soletração irlandesa dos sobrenomes - O'Bama - o presidente disse: "Voltei para casa para achar o apóstrofe que perdemos em algum lugar do caminho."

Obama chegou nesta segunda-feira à Irlanda, iniciando uma viagem de uma semana à Europa. Ele também visitará a Grã-Bretanha, França e Polônia. Na França, o presidente americano deverá participar de uma reunião do G8 (o grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia).

Antes do discurso no Green College de Dublin, o presidente americano elogiou a visita histórica de reconciliação que a rainha Elizabeth 2ª fez na semana passada à Irlanda e destacou que o processo de paz na Irlanda do Norte inicia uma "onda de esperança" no mundo inteiro.

"Queria dizer ao povo irlandês o quanto os progressos realizados na Irlanda do Norte têm nos inspirado", disse Obama depois de se reunir Kenny. "Significam que a paz é possível e que as pessoas que se enfrentam há muito tempo podem repensar as relações", afirmou.

Visita à cidade dos ancestrais

Antes do discurso em Dublin, Obama dirigiu-se ao vilarejo de Moneygall, de onde seus ancestrais irlandeses saíram em busca de uma vida nova nos EUA. Uma grande operação de segurança foi montada na localizada de 300 habitantes.

Entre os olhares da multidão e um bom gole de Guinness, a cerveja local, Obama percorreu as ruas de Moneygall. Cerca de 3 mil pessoas - o triplo da população de Moneygall, no condado de Offaly, no centro da Irlanda - receberam o presidente americano com aplausos, gritos e inúmeras bandeiras da Irlanda e dos EUA nas ruas.

Após apertar as mãos de seus admiradores durante cerca de 20 minutos, Obama e Michelle visitaram a casa onde moravam seus familiares, os Kearney. Em seguida, o casal visitou o pub Ollie Hayes, um dos dois que existem no vilarejo e que, com as paredes cheias de cartazes da campanha eleitoral de 2008 e retratos do presidente, praticamente se transformou em um museu dedicado ao governante americano.

"Me avise quando puder começar a tomá-la. Não quero estragar", brincou Obama enquanto Ollie, o proprietário do local cuja família se encarrega de matar a sede de Moneygall há quatro gerações, explicava como se tira a tradicional pint de cerveja Guinness.

Obama descobriu sua conexão irlandesa durante a campanha eleitoral de 2008, quando declarou: "Uma pessoa descobre muitas coisas sobre si própria quando se candidata a presidente. Fiquei sabendo que um ancestral por parte de mãe vinha de uma aldeia no condado de Offaly."

Os Kearney eram sapateiros em Moneygall quando, em meados do século 19, a fome atingiu a Irlanda e exterminou em apenas cinco anos um quarto do condado de Offaly. Anos antes, James - o tio do antepassado de Obama, Falmouth - tinha emigrado para os EUA, onde adquiriu um pedaço de terra que deixou para o irmão Joseph "caso fosse ao país".

Joseph Kearney se mudou para os Estados Unidos para reivindicar sua propriedade e chegou a Nova York em 25 de abril de 1849. Pouco mais tarde, seu filho mais velho, Falmouth, com 19 anos, o seguiu. Um ano depois seria a vez do resto da família deixar Moneygall.

Dois anos após sua chegada aos EUA, Falmouth se casou com Charlotte Holloway. O censo americano indica que o casal, já com vários filhos, instalou-se durante a década de 1860 em Deerfield, Ohio, e na década seguinte no condado de Tipton, em Indiana.

Charlotte Holloway Kearney morreu em 1877 e seu marido, um ano depois. Tiveram pelo menos três filhos e cinco filhas, a menor das quais, Mary Ann, casou-se com Jacob William Dunham e seria a tataravô do primeiro presidente americano da raça negra.

Aliados

Na terça-feira, Obama deve viajar para a Grã-Bretanha, para uma visita de três dias. O presidente americano e a primeira-dama deverão ficar hospedados no Palácio de Buckingham, como convidados da rainha Elizabeth 2ª.

Além disso, Obama deve se reunir com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, para discutir, entre outros assuntos, as operações da Otan na Líbia. Obama também deve fazer um discurso em Westminster Hall, uma parte do Parlamento britânico que geralmente é usada apenas para pronunciamentos de monarcas britânicos.

Afeganistão

Na quinta-feira, Obama segue para Deauville, na França, para a reunião do G8, onde deve se encontrar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o colega russo Dmitri Medvedev e com o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan.

Entre os assuntos que serão discutidos na reunião do G8 na França deverão estar a situação no Afeganistão e as revoltas populares em países do Norte da África e do Oriente Médio . A segurança também deverá ser uma preocupação, principalmente depois da operação que resultou na morte de Osama Bin Ladentrês semanas no Paquistão .

Na sexta-feira, Obama visita a Polônia, para discutir propostas como a criação de um escudo antimísseis dos Estados Unidos, que deve ter parte instalada na Polônia. Segundo o editor da BBC para a América do Norte Mark Mardell, Obama espera dar um novo começo a relações com alguns dos aliados europeus dos Estados Unidos.

*Com AP, BBC, EFE e AFP

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