Em dificuldades, premiê do Japão troca ministros e corteja rival

Por Linda Sieg TÓQUIO (Reuters) - Em dificuldades, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, sugeriu a nomeação de um popular rival para um importante cargo partidário e substitui na sexta-feira os ministros das Finanças e da Economia, realizando assim uma reforma no gabinete de governo em meio a esforços para melhorar seus índices de aprovação.

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Fukuda, 72, quer deixar sua marca nas políticas econômicas do país e afastar dúvidas sobre sua liderança que, depois de apenas dez meses de governo, ameaçam tirá-lo do poder.

No entanto, não se sabe ainda qual a eficácia da reforma ministerial, especialmente após uma demora para realizar a manobra, o que alimentou a noção de que Fukuda seria indeciso.

O premiê escolheu o segundo nome mais importante do partido governista, Bunmei Ibuki, para o cargo de ministro das Finanças e convocou o ex-chanceler Taro Aso, um parlamentar de grande popularidade e um rival dele na disputa pelo comando do país, para assumir o cargo de secretário-geral da legenda.

É provável que Fukuda deseje usar a popularidade de Aso, um fã de quadrinhos do tipo mangá, para melhorar as chances do bloco governista nas eleições gerais que, apesar de previstas para setembro de 2009, podem ser antecipadas, afirmaram analistas.

A pasta da Economia ficou com Kaoru Yosano, um outro veterano que defende a elevação do imposto sobre o consumo a fim de recuperar as finanças estatais e custear os gastos cada vez maiores com o sistema de bem-estar social responsável por atender a uma população cada vez mais idosa.

Fukuda já trocou a maior parte de seus ministros, chamando de volta muitos veteranos, mas deixando inalterados quatro cargos, entre os quais o de Masahiko Komura, ministro das Relações Exteriores, e o de Nobutaka Machimura, chefe de gabinete e principal porta-voz do governo.

Alguns analistas identificaram no novo quadro de ministros um sinal das intenções de Fukuda de destacar questões mais próximas dos eleitores, entre as quais a do sistema de bem-estar social e a do custo dos alimentos -- uma mensagem que sublinhou ao nomear a popular parlamentar Seiko Noda para a nova pasta de Direitos dos Consumidores.

'Do ponto de vista dos estrangeiros, isso pode parecer um breque nas reformas, mas Fukuda considera a mudança uma manutenção das reformas,' afirmou Yasunori Sone, professor de ciências políticas na Universidade Keio.

(Reportagem adicional de Chisa Fujioka, Yoko Kubota, Naoto Okamura, Isabel Reynolds, Hideyuki Sano)

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