Em dia violento, atentados matam 16 no Paquistão

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 4 abr (EFE).- Pelo menos 16 pessoas morreram hoje em dois atentados suicidas perpetrados no Paquistão, um deles na capital Islamabad, e ambos precedidos por um novo ataque aéreo dos Estados Unidos nas áreas tribais.

Na capital paquistanesa, um suicida matou oito membros das forças paramilitares e feriu outros quatro ao detonar os explosivos que carregava próximo a um posto de controle na região central de Islamabad, segundo informou um chefe policial citado pela agência estatal "APP".

A explosão foi ouvida em boa parte da cidade e provocou pânico entre os moradores. Entretanto, o ocorrido foi logo descartado como sendo um novo ataque ao estilo das recentes ações executadas por terroristas em março na cidade paquistanesa de Lahore.

As autoridades já tinham alertado durante esta semana para a presença de terroristas suicidas tanto em Islamabad quanto na cidade vizinha de Rawalpindi.

O ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, declarou à imprensa que as forças de segurança dispararam contra o terrorista quando este se aproximava do posto de controle.

"Devido aos disparos dos paramilitares, o homem não pôde alcançar o lugar onde eles estavam jantando. Agora, os terroristas estão atacando as forças de segurança", ressaltou Malik, citado pelo canal de televisão "Express TV".

Este ataque foi precedido por outro atentado suicida, no qual um homem tentou jogar um veículo carregado de explosivos contra um comboio das forças de segurança na conflituosa região tribal paquistanesa do Waziristão do Norte, na fronteira com o Afeganistão.

"Os guardas de fronteiras viram o veículo suspeito se aproximar e realizaram disparos de advertência, após os quais o suicida detonou a carga explosiva que carregava", explicou à Agência Efe o coronel paquistanês Atiq Rehman.

Pelo menos oito pessoas morreram neste ataque, sete delas civis, incluindo duas crianças, enquanto outras 39 ficaram feridas.

Tanto o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, quanto o presidente do país, Asif Ali Zardari, condenaram as ações terroristas e ordenaram a abertura de investigações.

Embora ninguém tenha reivindicado a autoria dos ataques, analistas apontaram a insurgência talibã como responsável pelos dois atentados.

O grupo executou a maioria dos recentes atentados recentes que mergulhara o Paquistão em uma nova onda de violência.

O líder dos talibãs paquistaneses, Baitullah Mehsud, tinha ameaçado cometer atentados para vingar os contínuos ataques com mísseis de aviões não tripulados americanos no conflituoso cinturão tribal fronteiriço com o Afeganistão.

Um desses ataques - já são quase 40 desde setembro de 2008 - matou pelo menos 13 pessoas também no Waziristão do Norte durante a madrugada de hoje, segundo informaram diferentes veículos de imprensa paquistaneses.

Dois mísseis atingiram a casa de um aldeão identificado como Tariq Khan, um suposto fornecedor de armamento para os talibãs.

De acordo com a versão do canal de televisão "Geo TV", entre os mortos estão três mulheres, quatro crianças e um número indeterminado de "estrangeiros", termo utilizados pela imprensa paquistanesa para se referir aos membros da rede terrorista internacional Al Qaeda que não são do país.

As áreas tribais paquistanesas, especialmente o Waziristão do Norte e do Sul, se transformaram nos últimos anos em um refúgio desta organização e de numerosos grupos talibãs.

O presidente americano, Barack Obama, anunciou na semana passada sua estratégia para o Afeganistão e Paquistão, a cujo Governo prometeu uma ajuda de US$ 1,5 bilhão anual por cinco anos, condicionada ao esforço paquistanês na luta contra o terrorismo.

Em 2008, quase oito mil pessoas morreram de forma violenta no Paquistão, onde mais de dois mil atos terroristas foram registrados no mesmo período. EFE igb/bba

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