Em dia de marchas, Betancourt pede libertação de reféns

Em uma manifestação realizada neste domingo em Paris, a ex-refém e ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt pediu ao líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, que liberte todos os reféns em poder da guerrilha. Betancourt ainda pediu que as Farc aceitem negociar o fim do conflito armado com a deposição das armas.

BBC Brasil |

A franco-colombiana leu os nomes de vários reféns capturados pelos rebeldes e pediu que eles sejam libertados.

"Não mais seqüestros, Alfonso Cano. Aonde o senhor se encontre, em qualquer lugar da selva, veja esta Colômbia, olha a mão estendida do presidente (Alvaro) Uribe," disse Betancourt, que liderou uma das mobilizações globais contra os seqüestros praticados pelas Farc.

Betancourt, seqüestrada durante mais seis anos, foi resgatada pelo Exército colombiano no dia 2 de julho com mais outros 14 reféns que eram mantidos em poder dos rebeldes.

"Entenda que já não é hora de derramar mais sangue. É hora de deixar esses fuzis e trocá-los por rosas, e de nos sentar com respeito, como irmãos que somos, para buscar uma maneira em que todos caibam na Colômbia", acrescentou Betancourt diante de milhares de pessoas aglomeradas em frente à Torre Eiffel.

Saída militar
Logo depois do resgate de Betancourt, Uribe disse que pretendia estabelecer um "contato direto" com a guerrilha para negociar um acordo.

Até agora, porém, de acordo com analistas colombianos, a saída militar para a solução do conflito é a que prevalece na política adotada pelo governo Uribe.

Betancourt, que disse não ter participado das manifestações na Colômbia por questões de segurança, disse que a liberdade dos reféns se tornou "uma obsessão".

"Pela liberdade dos que estão na Colômbia e têm o direito de encontrar suas famílias, retomar suas vidas, ver seus filhos crescerem, a sair deste inferno, a deixar de levar esta cruz que estão levando por todos nós, pela possibilidade de que na Colômbia exista paz um dia", disse ela, vestida de branco.

Colômbia
Neste domingo, centenas de milhares de pessoas ocupam as ruas de mais de mil municípios da Colômbia para pedir a libertação de centenas de reféns que ainda estão em poder das guerrilhas colombianas.

Vestidos em sua maioria com a cor branca, os colombianos estampam nas camisetas frases como "Liberem a todos já" e "Paz para Colômbia".

As manifestações mobilizaram vários setores da sociedade colombiana. A cantora Shakira comanda o maior dos eventos, com um show na capital Bogotá.

Durante a semana a população foi convocada pelos meios de comunicação colombianos a participar dos atos.

"Vocês que estão em casa, coloquem o tênis e saiam a marchar, ninguém pode ficar indiferente", chamava uma apresentadora do canal RCN.

Além da Colômbia, shows e manifestações acontecem em outros 40 países.

Lula
Na cidade de Letícia, na fronteira com o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cerimônia de celebração do Dia da Independência da Colômbia, que acabou se convertendo também em uma manifestação de rechaço à prática de seqüestros pela guerrilha.

O presidente colombiano, Alvaro Uribe, agradeceu a "compenetração" da comunidade internacional e voltou a relacionar a necessidade de acabar com o conflito interno para atrair investimentos a seu país.

" O esforço do povo colombiano, de nossos heróis da força pública, este país tem que seguir adiante para ser um país sem terrorismo, sem seqüestro, sem droga, com investimento, com fraternidade, com prosperidade social", afirmou Uribe, pouco antes do desfile militar.

Ainda em Letícia, Lula, Uribe e o presidente do Peru, Alan Garcia, firmarão um acordo na área de defesa, que prevê o fortalecimento da segurança na área da fronteira amazônica entre Brasil, Colômbia e Peru.

Brasil e Colômbia também devem assinar um acordo de cooperação para a produção de biocombustíveis.

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