Em Denver, Michelle Obama quer mostrar Barack como um americano comum

(atualiza com antecipação de discurso de Michelle Obama enviado pela campanha) Teresa Bouza Denver (EUA.), 25 ago (EFE).

EFE |

- Barack Obama é hoje o mesmo homem pelo qual Michelle se apaixonou há 19 anos porque, como ela dirá esta noite na convenção democrata, o candidato à Presidência dos Estados Unidos tem os mesmos valores de um americano comum.

Michelle, segundo um discurso que ela pronunciará esta noite e que foi antecipado pela campanha de Obama, fará hoje uma cuidadosa apresentação do candidato, em que procura deixar claro entre os eleitores que o senador por Illinois é um deles.

Ela será hoje a estrela do primeiro dia da grande reunião política que os democratas realizam em Denver.

O próprio Obama reconhece que sua biografia "não é a típica de um presidente moderno americano".

Filho de um economista negro queniano educado na Universidade de Harvard, e de Ann Dunham, uma mulher branca de Wichita, Kansas, Obama cresceu entre a Indonésia e o Havaí.

Sua história de vida, sua raça e até seu nome, que soa como estrangeiro, impôs ao candidato desafios jamais enfrentados por nenhum outro aspirante à Casa Branca.

Por essa razão, os democratas se encarregaram de colocar pessoas no programa da convenção que se refiram a Obama como alguém próximo de um cidadão americano, portador de uma história que encarna a quinta essência do "sonho americano".

Michelle Obama, que comparecerá hoje ao Pepsi Center de Denver, dominado pelas cores vermelho, branco e azul da bandeira americana, tentará reforçar essa impressão.

"Barack e eu nos criamos com muitos dos mesmos valores pelos quais vocês trabalham duro e querem na vida", dirá Michelle.

Ela lembrará o dia em que seu marido a levou para casa após ter dado à luz sua primeira filha, na esperança de dar à pequena criança aquilo que não teve quando pequeno.

O pai de Obama se separou de sua mãe quando ele era pequeno e não se manteve em contato com ele.

Maya Soetoro-Ng, irmã de Obama por parte de mãe, também buscará mostrar aos mais de quatro mil delegados presentes esta noite no evento e às câmaras que o transmitirão, o lado mais humano e caloroso do candidato presidencial democrata.

Soetoro-Ng se refere com freqüência a seu irmão como um homem conciliador, alguém acostumado a se movimentar entre vários mundos e a estender pontes entre eles.

De fato, o assunto eleito para hoje é "Uma só nação", um aspecto central na campanha de Obama, que diz querer acabar com a polarização política e racial no país.

"Não há um EUA branco e um EUA negro, mas os EUA da América", afirmou Obama em seu discurso de 2004 na convenção democrata de Boston, que o lançou na esfera política nacional.

Além da esposa e da irmã de Obama, também está previsto que passem esta noite pelo palco do Pepsi Center cidadãos comuns, como Candi Schmieder, uma funcionária e mãe do estado de Iowa, que diz ter recuperado a fé na política graças a Obama.

Tanto Schmieder, como Mike Fisher, um maquinista ferroviário de Indiana, Roy Gross, um caminhoneiro de Michigan e Pamella Cash-Roper, uma americana desempregada e sem seguro médico, buscarão durante os próximos dias desmontar a idéia de que Obama é uma celebridade que não entende o cidadão comum, algo de que é acusado pelos seus adversários republicanos.

Vários assessores de Obama escreveram seus discursos de cerca de três minutos e se encarregam de organizar suas entrevistas e de aconselhá-lo sobre como atuar no palco.

Está previsto que o senador democrata Edward Kennedy, que em princípio tinha pensado em participar através de um discurso gravado devido a seus problemas de saúde, também esteja presente no evento esta noite.

Um documentário biográfico, obra de Davis Guggenheim, contribuirá para reforçar, de forma visual, a mensagem que os democratas buscam divulgar durante os próximos quatro dias.

Parte do documentário foi gravado em 4 de julho no estado de Montana, quando os EUA celebram o Dia da Independência.

Algumas das imagens antecipadas à imprensa mostram Obama rodeado de sua esposa e de suas duas filhas, Malia e Sasha, de 10 e 7 anos, enquanto participam de um churrasco e de outros rituais típicos de 4 de julho.

"Espero que tirem a conclusão de que sou como vocês", disse ontem Obama em um ato eleitoral no Wisconsin, no qual destacou que, como muitos de seus compatriotas, provém de uma família de classe média, estudou graças a bolsas de estudos e empréstimos estudantis e é um pai preocupado com a educação de suas filhas. EFE tb/rr

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