Em Davos, Soros defende desmembramento de bancos grandes

O megainvestidor George Soros defendeu, nesta quarta-feira, que as instituições bancárias grandes demais para quebrar deveriam ser divididas. A declaração foi feita durante um almoço em Davos, na Suíça, onde foi aberto o 40º Fórum Econômico Mundial.

BBC Brasil |

Soros ainda declarou seu apoio à proposta de reforma sugerida pelo presidente americano, Barack Obama, de limitar o tamanho dos bancos.

Pela proposta, os bancos seriam desmembrados - as transações comerciais seriam separadas das operações de investimentos.

Soros disse, no entanto, que mesmo após a divisão proposta por Obama, alguns bancos de investimento ainda seriam "grandes demais para quebrar".

De acordo com ele, para conter esses bancos, todas as grandes economias do mundo deveriam ter um acordo de regulação financeira comum que estabeleceria limites para alavancagem - a quantidade de dinheiro que os bancos podem emprestar para investimentos.

Segundo o investidor, sem o acordo global, o capital simplesmente seria transferido para o país que oferece menos regulação.

Em contrapartida, se todas as economias participassem, os países poderiam exercer os controles necessários sobre o fluxo de dinheiro para prevenir que alguns países burlem o sistema, ou para evitar que o "Goldman Sachs abra um negócio na Somália", como afirmou um dos participantes do encontro.

Alguns representantes dos bancos presentes no almoço se opuseram à proposta de Soros e alertaram para os riscos de uma maior regulação.

O chefe do banco Barclays Capital, Bob Diamond, afirmou que não via "nenhuma evidência para sugerir que encolher os bancos e diminuí-los seria a resposta".

Já o representante do Morgan Chase, Jacob Frenkel, demonstrou sua preocupação sobre a "má regulação".

"Bolha"
Soros afirmou ainda que a atual crise econômica é uma "super bolha" que teria sido gerada pelo próprio sistema e seria a culminação de 25 anos de "bolhas menores" e de tentativas fracassadas de combatê-las.

Soros disse ainda que essas "bolhas" teriam sido causadas pela facilidade de crédito, negócios arriscados, nos quais investidores realizavam empréstimos múltiplos para financiar um investimento.

De acordo com o investidor, tanto os reguladores como os banqueiros tiveram a impressão errada de que os mercados são eficientes e que eles foram "cegados" pela ideologia do fundamentalismo do mercado, presumindo que os mercados devem ser sempre regulados com pouca rigidez.

Soros afirmou que, quando essas "bolhas" explodem, os governos e reguladores prejudicam ainda mais a situação econômica, cortando as taxas de juros e deixando o capital ainda mais barato - até que a bolha do subprime trouxe todo o sistema abaixo.

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